
Fotos: Farol de Notícias-Licca Lima
O advogado Ricardo Vasconcelos, um dos mais experientes criminalistas de Pernambuco, deixou a capital pernambucana por volta das 03h da madrugada de ontem (quinta-feira) com destino a Serra Talhada. Ele abraçou a causa de um dos supeitos de ter participado da logística do duplo homicídio dos comerciantes Ednaldo e Nivaldo Ferreira, em 15 de agosto.
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Após deixar a Delegacia de Polícia, no bairro AABB, Dr. Ricardo procurou a redação do Farol e fez um contraponto a entrevista concedida pelo Delegado de Polícia, Pedro Leite (relembre aqui).
O processo corre em segredo de justiça, e preservamos a identidade do suspeito, que já foi transferido para o Presídio de Salgueiro, no Sertão Central.
Veja a íntegra da entrevista, dividida em tópicos, que será exibida na TV Farol, nesta sexta-feira.
SOBRE O DEPOIMENTO
“Meu cliente, já prestou depoimento hoje na delegacia, eu espero até que o delegado mude o parecer, o entendimento dele, e a gente está diante de procedimentos da delegacia e procedimentos jurisdicionais, que são de segredo de justiça, portanto, nós não podemos citar nomes, nós não podemos entrar com profundidade.
A defesa, tentando buscar celeridade, veio hoje, de madrugada nós viemos, e nós já conseguimos acesso primário à delegacia, fomos muito bem tratados, e também o pedido de inquérito integral, para que nós possamos estudar essa questão. Também fomos ao Fórum, e lá nós encontramos um servidor, e esse servidor foi muito gentil, uma servidora, por sinal, muito gentil, nos disponibilizou o número do verdadeiro processo.”
PROTOCOLO NA JUSTIÇA
“Hoje em dia, quando você pede uma prisão, ou você, se tem um processo, você abre um outro processo em segredo de justiça, ninguém vai saber que você tem um mandado de prisão, e o primeiro processo também está em segredo de justiça, ou seja, nós temos dois processos, o inicial e o de prisão, todos os dois com segredo de justiça. O normal seria o quê? O advogado vem, entra no processo que ele acredita ser o processo que deu origem a essa prisão, e na verdade, quando ele entra, ele passa 15 dias para ter acesso ao processo, quando chega no processo, o processo está praticamente arquivado e remetido para a vara original, aquela que entrou com o mandado de prisão.
E aí você tem que entrar de novo no outro processo de segredo de justiça, mais 15 dias. Então hoje o advogado e a defesa, ela está fragilizada muito mais do que quando era tudo físico. Quando era físico, você chegava, pedia na hora, você tinha cópia”.
CLIENTE TEM ENFERMIDADES
“Enquanto isso, o meu cliente em especial, que é uma pessoa que sofre de algumas enfermidades, e principalmente de coração e outras coisas mais, nem sequer tem a oportunidade de ter o tratamento continuado. Então nós fizemos o quê? A audiência de custódia é uma audiência que só vai verificar se aquela pessoa que foi presa, se ela teve alguma violação física.
Quando é um mandado de prisão, audiência de custódia, ela é uma mera formalidade. Por quê? Porque nenhum juiz pode tirar a ordem de prisão do outro juiz. Ele só vai verificar e pergunta sempre, houve alguma violência, sofreu alguma violência da parte do policial? Então no caso, a audiência de custódia aconteceu ontem”.
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SOBRE AS ARMAS
“E hoje aconteceu uma outra audiência relacionada a umas armas que foram encontradas, porém, pelo o que nós podemos verificar, que a audiência foi virtual lá na delegacia, não houve nenhum entendimento que a arma pertencesse ao meu cliente.
Nós estamos esperando agora o acesso, porque nós já entramos no processo, passamos para o escritório, o escritório já deu entrada na autorização de habilitação, e como demora muito tempo, nós já estamos providenciando frente à ouvidoria que esse procedimento seja feito no mínimo 24 horas, porque só sabe quem está preso. Então a gente tem essa ideia e a gente pede para o cautela, desde o início, que a gente pense direito, porque poderia ser qualquer um de nós. Tanto você pode ter se enganado e feito alguma coisa e você vai ser comprovado se foi ou não, como também que você não fez. Então a questão do dolo, a vontade de praticar, o desejo de praticar, por que que eu fiz, qual foi a intenção, isso daí tem que ser demonstrado na instrução”.
DELEGADO FALOU SOBRE A LOGÍSITICA DO CRIME
“A logística é uma análise subjetiva. Eu estou vendo aquilo, eu estou vendo assim, eu vejo a hora, eu vejo lá, eu saio. A logística não é uma materialidade ligada a quem supostamente ordenou ou tinha interesse com isso. O meu cliente já me disse, disse hoje na tomada de depoimento, de que ele realmente não conhecia nenhum assunto que estava em jogo, não conhecia nenhuma motivação, muito menos ao desejo de praticar um crime. Ele disse que ele fez um favor num certo momento, mas esse favor não tem vínculo com esse fato e essa chamada logística é algo subjetivo. É subjetivo. Não, a logística, que é uma análise que o delegado disse que fez, dos vídeos das pessoas passando, dos carros, certo. Algum carro era do meu cliente, ele chegou a dizer.
Então a gente tem que entender, dentro dessa logística, que isso é um ponto, um ponto do iceberg. Agora o iceberg ainda não tem absolutamente nenhuma conexão com o meu cliente. Nós teremos o trabalho 24 horas, diurnamente, para que ele tenha o tratamento médico que ele precisa, que não vá como agora foi endereçado a um presídio que tem capacidade de cento e pouco, com mais de mil pessoas.
Isso é desumano, isso é cruel, e a gente está lutando para que ele não vá para esse presídio que não tenha a menor condição humana. Então a nossa sugestão é que a gente tenha consciência que qualquer um de nós pode ser vítima de qualquer coisa, inclusive de um acidente, inclusive de uma calúnia e também de uma leviandade. Há um crime que não existe no Brasil que é a leviandade”.
CONEXÃO SEM PROVAS
“É você falar uma coisa sem ter conexão, sem prova nenhuma, e você macula a pessoa eternamente. O meu cliente hoje está com a vida, pode-se dizer, destruída, porque muito embora a gente não possa dizer o nome, vulgarmente falando, você já tem várias pessoas que comentam o nome. Mas o meu cliente foi muito categórico. Eu pessoalmente conversei com os policiais, e os policiais não digo que estão dizendo que ele está correto ou está errado, mas ficaram satisfeitos com a colaboração que ele prestou na delegacia. Tudo o que ele soube, todo o passo a passo daquele dia, daquele momento, foi relatado na delegacia”.
NÃO ÀS FOFOCAS E CONFIANÇA NA JUSTIÇA
“Eu tenho até um comentário a fazer, que eu gosto de fazer, eu faço até isso muito quando eu faço júri, e eu me lembrei agora, eu vou falar, porque já viu que eu sou meio desengalhado nessas coisas. Em Israel, existem 365 maneiras de matar uma pessoa. Não matarás, que está lá no Pentateuco, está lá na linha soberana, não matar não é tirar a vida apenas, é destruir, é julgar, é ser leviano, e é falar mal da pessoa, é destruir a pessoa, é tudo que você possa fazer que não faria para o seu filho, para a sua mãe, para o seu irmão.
Então, que a gente não se preocupe tanto com as fofocas, e aguarde o procedimento correto da justiça, nós acreditamos na Justiça, e essa defesa vai agir de forma plena, absoluta, seja o que for preciso, para que a gente tenha uma dignidade, aquela pessoa que está sendo investigada, e colaborando com a justiça”.
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