O avanço das plataformas digitais e a popularização das apostas online têm acendido um alerta para um problema silencioso, mas cada vez mais presente: o vício em jogos. O que começa, muitas vezes, como entretenimento ou uma tentativa de ganhar dinheiro rápido, pode evoluir para um comportamento compulsivo, com impactos diretos na saúde mental, nas relações familiares e na vida financeira de milhares de pessoas.
Diante deste cenário, a reportagem do Farol de Notícias conversou nesta semana, com o psicólogo hospitalar e professor, Marcelo Leite, que chama atenção para os sinais de alerta que podem indicar o vício ou dependẽncia em jogos e reforçou a importância de buscar ajuda profissional antes que as consequências acabem se tornando irreversíveis.
De acordo com o profissional, o vício em jogos e apostas deve ser tratado com a mesma seriedade que a dependẽncia química, uma vez que envolve mecanismos semelhantes no cérebro e no comportamento humano. Além disso, ele pontua que esse tipo de compulsão ativa áreas relacionadas ao prazer, com liberação de dopamina, o que gera sensação de recompensa e pode levar à perda de controle.
Receba as manchetes do Farol primeiro no canal do WhatsApp (faça parte)
“O vício é quando existe um comportamento que é adquirido e esse comportamento se instala como uma necessidade. Ele ultrapassa o campo do desejo e começa a se instalar como uma necessidade. Não a necessidade biológica, como a fome por exemplo, mas uma necessidade de ordem mais psicológica por um funcionamento de hábito, de comportamento adquirido. Essa pessoa que está desenvolvendo esse tipo de vício, no caso da tecnologia, dos jogos de azar virtuais, elas precisam estar atentas para perceberem e os familiares e os amigos também perceberem o quanto ela fica no celular ou no computador e o quanto isso tem prejudicado a sua vida na realidade, na sua vida social, familiar, afetiva, mas sobretudo laboral”, explicou o professor, continuando:
“No caso dos jogos de azar, o endividamento por algo que não supre nenhuma necessidade, nenhuma realização, mas sim uma satisfação puramente que a gente chamaria na clínica psicanalítica de satisfação gozosa, ou seja, apenas o gozo do vício, não um prazer que faça a pessoa se desenvolver enquanto ser humano, melhorar enquanto pessoa, mas sim apenas por essa reparação do vício. É importante que as pessoas estejam muito atentas e de uma certa forma a sociedade atual se organizou para que a gente se tornasse muito dependente de tecnologias para o nosso trabalho, para o nosso lazer. As tecnologias, a gente não pode demonizar, elas são importantes, mas ela precisa ter uma atenção muito grande na sua administração”, analisou.
Os fatos de Serra Talhada e região no Instagram do Farol de Notícias (siga-nos)
SINAIS
Entre os sinais de alerta estão o uso excessivo de tecnologia, prejuízos na vida pessoal e profissional e o acúmulo de dívidas. Em casos mais graves, a compulsão pode desencadear depressão e até pensamentos suicidas. O tratamento existe e deve ser feito com acompanhamento especializado.
A orientação é buscar ajuda ao perceber os primeiros sinais e manter o uso da tecnologia de forma equilibrada.
“Existe o tratamento para dependência de jogos e apostas, ele vai entrar no mesmo enquadramento da dependência química. Assim como visto em jogos como por exemplo, dominó, entra nesse mesmo enquadramento da dependência química, porque esses jogos se tornam como se fosse uma droga para esses usuários. Assim como é o funcionamento de um usuário de crack, é o funcionamento de uma pessoa viciada em jogo, em aposta, é o mesmo funcionamento, inclusive neurologicamente falando e psicologicamente falando. Há uma corrente da psicanálise que vem lutando para ser reconhecida, em que defende a ideia de uma estrutura adicta, que eles chamam, uma estrutura em que as pessoas fossem dependentes de vícios, vivesse com essa tendência sempre a uma ligação com qualquer tipo de comportamento vicioso”, pontuou.
