Publicado às 05h33 desta segunda-feira (4)

Por Joseley Gildo

Sou Natural de Serra Talhada, tenho 26 anos, me formei em 2018 pelo Centro Universitário de João Pessoa (Paraíba). Tenho como foco adaptar os projetos de arquitetura e urbanismo ao comportamento histórico-geográfico do local.

Vejo muitos profissionais (de minha geração, infelizmente) ludibriar a população com vaidade projetual, a estética na arquitetura não está nas maquiagens textuais ou nas imagens ultra realistas, a estética na arquitetura, antes do volume arquitetônico, está na acessibilidade e adaptabilidade da latitude e longitude.

Sabemos que o pico do período chuvoso no município de Serra Talhada acontece em março, sempre quando ocorre as inundações, o poder do Estado do capital se cala e finge que não está entendendo nada. Não adianta projetar uma bela orla em um Rio (Pajeú) que carece de mata ciliar. Os arquitetos são diplomados debaixo desta forma social de produção capitalista, por este motivo os projetos de boa parte destes profissionais são apenas puro status; se o sujeito não for um materialista histórico ele acaba projetando soluções que não existem, isto é, soluções que não alimentam o desgaste do sistema do capital, pelo contrário.

Este é o estudo preliminar de um arquiteto, o comportamento local da natureza.

Alguns projetos que já foram executados: O Portal de Santa Cruz da Baixa Verde, junto com a reforma da Praça da Matriz (contudo, vale salientar que a própria prefeitura de Santa Cruz não executou os projetos como eu havia inciado, pediram muitas alterações, trazendo assim, mudanças ineptas)…

Em zonas alagáveis, onde, o relevo mais baixo acaba recebendo toda a demanda das águas pluviais ou fluviais do relevo mais alto, é preciso mitigar a descida destas águas para não ocorrer concentrações em áreas indesejáveis.

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O Parque esponja cumpre uma boa função neste quesito; locado em relevos mais altos das zonas alagáveis, o Parque serve literalmente como uma esponja, pois capta boa parte da água que poderia descer e se concentrar nos relevos mais baixos.

Em Serra Talhada temos uma zona destas, que, sempre no período chuvoso (com pico em março), inunda diversas zonas urbanas em seu entorno. Um acompanhante muito compatível com os parques esponjas são os jardins de chuva, estes poderiam ser locados em ruas estratégicas; são, literalmente, os jardins de chuva, além de contar com uma vegetação nativa, eles são locados em um nível bem mais abaixo do que o da rua, isto faz com que capte boa parte das águas pluviais; com pequenas canalizações, as quais ajudam a direcionar estas águas para estes jardins, as ruas podem ter um comportamento mais adequado para com as chuvas.

O Rio Pajeú sofre com o excesso de grandes barragens, quando, ao invés disto, deveria possuir pequenas barragens em arco de modo que a forma côncova estivesse voltada para a Foz, com isso o armazenamento no lençol freático e a fluidez no leito seriam mais equilibrados; o Rio Pajeú sofre com a grande falta de mata ciliar e com um inepto saneamento básico; quem é o beneficiado por um sofrimento contínuo dos recursos hídricos? O Estado do capital.

De nada adianta a vaidade arquitetônica, de nada adianta desenvolver projetos que não se adapte ao comportamento histórico-geográfico do ambiente, se apossar de beletrismos para ludibriar uma população com estética projetual é apresentar soluções pífias; portanto, uma desonestidade intelectual.

Os arquitetos são considerados artistas, mas que tipo de arte eles produzem? Eles assumem que: “a arquitetura é uma performance, é um livro, é uma dança, é uma escultura, é um ritmo, é uma música, enfim, ela é o Alfa e o Ômega do meio artístico”. Se a arquitetura é realmente uma arte, esta deveria ser: a arte de transformar Latitude e Longitude em espaço acessível e não, uma extraordinária vitrine “ecológica” com obras de arte da sociedade burguesa, a qual só resta ao proletariado o olhar e a cobiça.

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⚠️Este ensaio é apenas uma amostra de uma solução para a zona alagável naturalmente existente em Serra Talhada. O PROJETO NÃO CONSTA DETALHES TOTAIS. Um projeto deste porte necessita de outros profissionais (Geógrafo, Eng. Ambiental e Civil, Topógrafo, etc.) para realizarem suas respectivas avaliações.⚠️