Os recorrentes casos de mordidas provocadas por cães que circulam livremente pelas ruas de Serra Talhada têm chamado a atenção da população e acendido um alerta para os riscos à saúde pública. Além dos ferimentos, acidentes desse tipo podem resultar em infecções e, em situações específicas, até na transmissão da raiva, uma doença viral grave e quase sempre fatal quando não tratada adequadamente.
Diante da preocupação e da necessidade de orientar a população sobre os cuidados imediatos após mordidas e arranhões de animais, Farol de Notícias conversou com Glaucia Novaes, da Coordenação do Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (VEH) do Hospital Regional Professor Agamenon Magalhães, (Hospam). Ela explica quais medidas devem ser adotadas, quando é necessário tomar vacina ou soro antirrábico e como funciona o atendimento nesses casos.
Farol de Notícias: A raiva ainda é uma doença que preocupa os profissionais de saúde? Quais os principais riscos após mordidas de cães e gatos?
Gláucia Novaes: Sim, ainda é preocupante. É uma doença infecciosa viral aguda, quase sempre fatal, mas que pode ser prevenida com vacinação e tratamento adequado.
Os principais riscos são: transmissão da raiva, infecções bacterianas, tétano, ferimentos profundos e lesões em áreas de risco (cabeça, tronco, pescoço e membros superiores).
Farol de Notícias: Quais são os primeiros cuidados que a vítima deve tomar imediatamente após sofrer uma mordida ou arranhão de animal?
Gláucia Novaes: Os cuidados são: Lavar o ferimento muito bem com água e sabão por pelo menos 15 minutos; não fechar ou costurar o ferimento; muito menos pressionar com sacolas ou algo do tipo e procurar atendimento médico imediato.
Farol de Notícias: Como funciona atualmente a estrutura do Hospam para atender casos de mordidas de animais, incluindo acidentes com cobras e outros bichos peçonhentos?
Gláucia Novaes: No Hospam temos o Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (VEH), onde são realizadas as notificações e, de acordo com a conduta médica, o VEH toma as providências e disponibiliza os soros. Vale ressaltar que no VEH não temos vacinas antirrábicas nem soros antirrábicos.
Para vacinação, os pacientes são encaminhados ao PNI, levando consigo uma cópia da notificação do atendimento antirrábico. O soro antirrábico ou a imunoglobulina são solicitados à Geres. Após a liberação, o motorista se desloca até a Geres para buscar o material, que será administrado ao paciente independentemente do dia ou horário.
Farol de Notícias: Em quais situações o paciente precisa receber vacina ou soro antirrábico, e qual a importância de procurar atendimento rápido?
Gláucia Novaes: Animais silvestres (macacos, raposas, entre outros) exigem uma atenção maior.
A vacina antirrábica é recomendada quando: o animal não pode ser observado; o animal morre, desaparece ou adoece em até 10 dias após a agressão; há exposição moderada ou grave; o contato ocorre com animais de rua ou silvestres.
O soro antirrábico ou a imunoglobulina são recomendados em casos de: Agressões por animais silvestres; exposição grave (múltiplas lesões, ferimentos profundos, lesões em rosto, cabeça ou mãos, ou contato com mucosas), sempre associado à vacina.
Quanto mais distante do cérebro estiver o local da lesão, maior será o tempo para o vírus chegar ao Sistema Nervoso Central (SNC). Vale ressaltar que o atendimento rápido interrompe a progressão do vírus antes que ele alcance o sistema nervoso. Após o surgimento de sintomas como hidrofobia, fotofobia e alucinações, não há cura.
Farol de Notícias: Já houve algum caso mais grave envolvendo mordidas ou picadas que o Hospam não conseguiu tratar integralmente e precisou encaminhar para outra unidade especializada?
Gláucia Novaes: Já houve caso de paciente com picada de animal peçonhento que precisou ser encaminhado para uma unidade de saúde de maior complexidade, devido à procura tardia por atendimento de emergência ou por não ter relatado que havia sido picado. Para casos de raiva humana, não temos registro de ocorrências de maior gravidade.

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