
Servidoras efetivas da Rede Municipal de Educação de Serra Talhada estão na luta para que a prefeita Márcia Conrado implemente no município a Lei 15.326. A legislação enquadra as Auxiliares de Creche como profissionais do magistério e pague o piso estimado em R$ 3.847,97, baseados em uma jornada de 30 horas semanais nas instituições de educação infantil da cidade.
O grupo mobilizado de 27 auxiliares, enviou representantes para uma reunião com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Serra Talhada (Sintest); o secretário de Educação, Edmar Júnior; o Procurador, Cecílio Tiburtino; e a prefeita Márcia Conrado. Na oportunidade, foi entregue um requerimento solicitando ao município que implante a legislação sancionada pelo presidente Lula dia 06 de janeiro de 2026.
Atualmente, o cargo de Auxiliar de Creche não está incluso no Plano de Cargos Carreiras e Remunerações da Educação (PCCR). A reportagem do Farol de Notícias conversou com a servidora, Marina Rodrigues, Licenciada em Pedagogia que atua há 6 anos, explicou sobre a origem histórica do cargo e o reconhecimento do governo federal que na educação infantil não está dissociado as noções de “ensinar” e “cuidar”.
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“Durante muito tempo, as creches no Brasil foram tratadas apenas como espaços de assistência, voltados principalmente ao cuidado das crianças enquanto as famílias trabalhavam. Mas isso mudou com os avanços das políticas educacionais. A partir da Constituição de 1988 e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, a educação infantil passou a ser reconhecida oficialmente como a primeira etapa da educação básica”, detalhou Marina, continuando:
“Hoje sabemos, inclusive a partir de estudos na área de desenvolvimento infantil, que cuidar e educar são indissociáveis, eles acontecem juntos no cotidiano das creches. Por isso, quando se discute o reenquadramento de auxiliares de creche e outros profissionais, estamos falando de reconhecer algo que já acontece na prática: esses trabalhadores participam diretamente da formação das crianças, nos vínculos, nas interações e nas experiências de aprendizagem desde os primeiros anos de vida”.
Também conversamos com a auxiliar de creche, que atua há 6 anos na função, Ailla Araújo, atualmente cursando licenciatura em pedagogia, que fez um apelo direcionado a Márcia Conrado e destacou a ação que representa diretamente a gestão petista do presidente Luis Inácio Lula da Silva.
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“No município de Serra Talhada somos 61 auxiliares de creche efetivas que foram aprovadas no último concurso público realizado na cidade. Das quais, apenas 27 se enquadram nos requisitos estabelecidos pela lei 15.326/2026 que são: formação mínima em Pedagogia ou Normal Médio; atuação direta com as crianças em sala de aula e aprovação em concurso público”, detalhou Ailla, finalizando:
“Na nossa região nenhuma cidade fez valer a lei federal, contamos com o olhar de mulher forte e aguerrida da nossa prefeita Márcia Conrado, que sempre ouviu nossa categoria e que é uma das principais prefeitas do PT em Pernambuco, base do presidente Lula, que reconheceu nossa função. Serra Talhada precisa ser pioneira no Sertão com o reconhecimento das auxiliares de creche como profissionais do magistério. Já que o Agreste iniciou as movimentações em cidades como Buíque e outras.”
LEIA NOTA OFICIAL DAS AUXILIARES DE CRECHE
A recente Lei 15.326/2026 representa um marco histórico para a educação brasileira ao reconhecer oficialmente os profissionais de apoio educacional — auxiliares, monitoras, cuidadoras e demais nomenclaturas presentes no cotidiano das creches— como parte integrante do fazer pedagógico, assegurando a esses trabalhadores o direito ao piso do magistério.
Esse reconhecimento legal não surge de forma abstrata. Ele nasce da realidade concreta das unidades escolares, especialmente na Educação Infantil, onde o trabalho pedagógico ultrapassa os limites da sala de aula e se materializa no cuidado, na escuta atenta, na organização dos espaços, na mediação de conflitos, na higiene, na alimentação, na segurança e no acompanhamento contínuo das crianças. O apoio educacional não é acessório; é estrutural. Não é complemento; é base indispensável para que o processo de ensino e aprendizagem ocorra com qualidade, dignidade e humanidade.
A lei, portanto, apenas oficializa aquilo que as escolas já sabem há muito tempo: sem os profissionais de apoio, a educação infantil simplesmente não funciona.
Em diversos municípios brasileiros, inclusive cidades de menor porte e com arrecadação mais modesta, já se observam movimentos concretos de articulação entre gestores, equipes técnicas e representações de servidores para planejar a adequação orçamentária e garantir o cumprimento da legislação, inclusive já sabemos que o governo federal disponibiliza verbas para isto. Esses municípios compreenderam que reconhecer esses profissionais não é apenas uma obrigação legal, mas um compromisso ético com a qualidade da educação pública.
Entretanto, em Serra Talhada, a realidade segue em sentido oposto. Enquanto se propaga, em discursos oficiais, que “Serra Talhada vive seu melhor momento”, o que se constata na prática é a ausência de iniciativas voltadas ao cumprimento de uma lei que valoriza justamente aqueles que sustentam, diariamente e de forma silenciosa, a rotina das creches e pré-escolas.
Ignorar a aplicação dessa legislação é mais do que postergar um direito: é invisibilizar profissionais que garantem o funcionamento das unidades escolares e a efetividade do trabalho pedagógico. É desconsiderar que a Educação Infantil não se realiza apenas com planejamento didático, mas com presença constante, cuidado responsável e acompanhamento atento — atribuições desempenhadas, em grande parte, pelos profissionais de apoio educacional.
O reconhecimento legal já existe. A necessidade prática é evidente. O que nós aguardamos, ansiosamente, é o desejo administrativo de transformar a lei em realidade.
Essa não se trata apenas de uma pauta remuneratória. Trata-se de dignidade profissional, de respeito institucional e de justiça com aqueles que dedicam sua jornada à formação das crianças do município.
Os profissionais de apoio educacional existem. Trabalham. Sustentam a rotina escolar. E, agora, por força de lei, têm direito ao reconhecimento que sempre mereceram.
10 comentários em Grupo de 27 auxiliares de creche de ST lutam pelo reconhecimento