Publicado às 05h08 desta segunda-feira (13)

O mês de setembro é marcado pela conscientização e prevenção do suicídio. De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), a cada ano, cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida. São dados alarmantes e é preciso procurar ajuda médica para superar essa condição muitas vezes provocada pela depressão. A cantora serra-talhadense Bruna Emanuela Magalhães Silva, 34 anos, é um exemplo de quem vivenciou essa luta. Ela deu seu relato ao Farol de Notícias e faz apelo para as pessoas depressivas procurarem ajuda.

Bruna já luta contra a depressão há mais de 10 anos, com picos de ida e volta, sempre muito extrovertida, animada, as pessoas não acreditavam que ela tinha depressão, sempre cobravam mais dela, falando que era frescura ou porque ela era mimada. No dia 11 de maio de 2021 ela chegou a tentar tirar a sua vida, mas desistiu e procurou o tratamento adequado. Arrumando o quarto, recentemente, ela achou uma carta de despedida que tinha escrito para os pais e isso a tocou muito, foi quando decidiu usar as redes para falar sobre a doença.

“Eu já vinha lutando há mais de 10 anos contra a depressão, eu cantava em banda de forró, sempre tive muita cobrança do mundo, só que não sabia o que era, achava que era só tristeza por conta do meu sonho de cantar. Quando eu vim ter a recaída agora, foi de vez, porque eu tinha parado tratamento, tinha parado de tudo, no dia 11 de maio eu tentei me suicidar de novo, antes eu bebia muito e tomava muitos remédios. O tratamento é muito caro, então me indicaram para o CAPS e estou fazendo o tratamento lá, já estou me sentido melhor, o atendimento lá é excelente, eu indico a quem estiver passando pela depressão que procure o CAPS, os profissionais de lá são muito bons. Graças a Deus também Dr. Kleynia Mourato se disponibilizou para o me ajudar no tratamento, também tenho o acompanhamento de Dr. Jayme, um excelente profissional, que inclusive está atendendo no CAPS”, detalhou a cantora acrescentando:

“Quem tem depressão precisa fazer o tratamento médico, dessa última vez que tive a crise eu sai de casa descalça, fui andar pela rua, fiquei muito angustiada, não sei o que foi aquilo, eu surtei e eu já não tinha com quem conversar as pessoas diziam ‘mulher, faz isso não, que tu é uma pessoa que tem fé’, eu fiquei com aquilo na cabeça, falei com a terapeuta e disse a ela que achava que ia morrer. Eu estava frequentando muito a igreja, fiquei com a cobrança também do ministério, eu estava ruim no mundo, fui para igreja e tinha cobrança também e eu acho que foi isso que me sufocou, eu não sabia quem eu ia iria agradar, eu vivia minha vida na busca de aprovação das pessoas e eu fiquei ruim mesmo”.

O QUE A FEZ DESISTIR DO SUICÍDIO 

Quando Bruna tentou tirar sua vida lembrou de Jesus e pediu socorro na hora, uma amiga a levou para o hospital e todos os procedimentos foram feitos, foi quando ela decidiu procurar ajuda profissional e conheceu o CAPS.

“Quando eu tomei um monte de medicação minha boca começou a formigar, o que me levou a pedir ajuda foi Jesus, eu não tinha mais vontade de nada, foi quando eu olhei para cima e disse “eu tenho um pai, eu tenho Jesus”, corri e liguei para minha amiga e disse “Girlene, corra aqui por favor que eu não quero mais morrer”, ela me levou para o Hospam, fizeram a lavagem em mim. Me perguntaram porque eu não ficava longe de redes sociais, eu até estava longe, mas, eu decidi voltar porque esse mês é muito pesado para mim e decidi me expor, expor a minha dor para pedir as pessoas que elas se cuidem, porque vendo um testemunho é muito mais fácil. Eu gostaria muito de indicar as pessoas que não tem condições financeiras que procure o SUS, porque os tratamentos são muito caros, minha medicação dava quase R$ 600,00″, detalhou Bruna completando:

“Vou voltar aos palcos, vou voltar a cantar só estou terminando de gravar duas músicas, ainda não tenho convite de banda, mas vou voltar solo, vou voltar a cantar e procurar uma coisa que me estabilize e que me deixe bem emocionalmente. O necessário é tratamento, reconhecer que tem o problema, a família ajudar, é muito cansativo, é doloroso para a família, é doloroso para os amigos, as pessoas precisam dar apoio porque não é frescura, o povo dizia que era safadeza minha, que era falta de pisa, que era porque o meu pai me mimava, era horrível”.

ONDE ENCONTRAR O TRATAMENTO PELO SUS EM SERRA TALHADA

Bruna assim como muitos serra-talhadenses não sabia que todo os tratamento era oferecido pela própria prefeitura, desde os profissionais até os medicamentos. Hoje ela faz todo o acompanhamento pelo SUS e garante que já melhorou muito, ela também afirma que se soubesse antes já tinha começado o tratamento há mais tempo e indica para todos que não tem condições financeira que procure a Unidade de Saúde de seu bairro para toda orientação.

“Minha intenção principalmente é mostrar as pessoas que existe o tratamento no SUS, eu não sabia que existia o tratamento pelo SUS, você vai na Unidade de Saúde do seu bairro passa pelo médico que vai lhe encaminhar e depois vai ao CAPS, fica na Travessa Domingos Rodrigues no centro da cidade próximo a Rua dos Correios, o pessoal lá é muito educado, tem terapia ocupacional, tem assistente social, tem psicólogo, tem terapia em grupo, terapia individual, dependendo do seu caso a psicóloga encaminha para o psiquiatra e lá tem os tratamentos para transtornos, eu pensava que só tinha tratamento para dependente químicos, se eu soubesse a mais tempo eu já teria me tratado mais ainda, porque tem horas que falta a condição financeira e tem que tratar, que a depressão é uma doença gravíssima”, explicou Bruna complementando:

“Quem me ver na rua diz que é mentira, mas quando eu tenho os surtos sou outra pessoa, quando eu li minha carta suicida eu fiquei sem acreditar no que eu ia fazer, porque agora eu sei que tem saída e a saída é se pegar com Deus e fazer tratamento e aceitar que isso é uma doença e é triste, quem tem só vê saída em morte e não é assim tem tratamento, estabilizador de humor, tem a medicina. Não se pode deixar a pessoa depressiva sozinha, mesmo que elas peça, meu quarto não tem mais chave, mainha quando me vê muito tempo calada no quarto ela já abre porque foi recomendação médica mesmo e se notar que o filho desde pequeno já apresenta alguma quadro como o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), tem que tratar. Toda a medicação tem na farmácia da prefeitura, procurem os postinhos para iniciar o tratamento. As pessoas falam que sou figura pública, então eu agora vou usar minha influência para ajudar as pessoas na luta contra a depressão”.

Clique aqui para assistir o vídeo onde Bruna ler sua carta.