Capela da Cruz da Moça em Serra Talhada é símbolo de fé popular

Por Paulo César Gomes, Professor, historiador e colunista do Farol

Na semana em que foi celebrado o dia de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade do Recife, a coluna Viagem ao Passado resgata a história de um dos mais conhecidos símbolos de religiosidade popular de Serra Talhada: a Capela de Nossa Senhora do Carmo, popularmente chamada de Cruz da Moça (Foto acima, registro de 1994. Arquivo de Wilson Nogueira).

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A origem dessa devoção remonta à década de 1960, quando o brutal assassinato da jovem Maria do Carmo chocou a população serra-talhadense. O crime ocorreu em uma área que hoje corresponde à Avenida Afonso Magalhães, mas que, à época, era formada por um extenso matagal cercado por serrotes e praticamente desabitado.

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Existem algumas contradições sobre quem colocou a primeira cruz e o local exato em que foi afixada, bem como o nome da assassina, no ano do ocorrido.

Em reportagem anterior (relembre), feita em 2005, in loco, uma primeira versão foi nos dados pelo já falecido João Faz Tudo. No entanto, o alguns novo detalhes foram nos repassados por Wilson Nogueira e sua mãe, Dona Eronildes.

Segundo do Eronildes, “a capela ficava aonde hoje fica o Mercantil Santana, lá era realizada a leitura do ofício e outros ritos católicos”, ela relata que a imagem de Nossa Senhora do Carmo apareceu quebrada, “Dió (Deolina Alice de Barros) pegou os pedaços da santa e colocou em uma embalagem de água sanitária vazia”. Dona Eronildes, disse que Diolina, recebeu uma imagem nova adquirida em Juazeiro do Norte, e disse: “Agora vou construir uma capela para a Senhora ficar protegida”.

Segundo os relatos de Wilson Nogueira e de sua mãe, Eronildes, que cuidou de Dona Diolina até seus últimos dias de vida, adquiriu um terreno na Rua Isidoro Conrado e construiu uma pequena capela sobre um grande lajeiro, transferindo para aquele novo endereço a devoção à Nossa Senhora do Carmo.

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Uma fotografia de 1994, pertencente ao acervo de Wilson Nogueira, registra essa segunda capela erguida sobre a pedra. Conforme a descrição da imagem:

“Foto de 1994 da segunda capela da Cruz da Moça que ficava sobre um grande lajeiro na Rua Isidoro Conrado. Foi demolida no final da década de 1990, dando lugar a uma residência, sendo transferida por Diolina Alice de Barros, que adquiriu um terreno e construiu a atual capela vizinho a este local.”

Outra fotografia preserva a imagem de Dona Diolina e destaca sua contribuição para a preservação da memória daquele espaço religioso:

“Deolina Alice de Barros, falecida em 1998. Adquiriu o terreno e construiu a atual Capela de Nossa Senhora do Carmo, chamada popularmente de Cruz da Moça, na Rua Isidoro Conrado, em Serra Talhada.”

No final da década de 1990, a pequena capela construída sobre o lajeiro precisou ser demolida para dar lugar a uma residência. Mais uma vez, Dona Diolina providenciou a transferência do templo para um terreno vizinho, onde permanece até hoje.

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Com o passar dos anos, a região foi completamente urbanizada. O antigo matagal desapareceu, ruas foram abertas e dezenas de residências ocuparam o espaço. Atualmente, a pequena capela encontra-se cercada por casas, quase escondida entre as construções, mas continua sendo um importante símbolo da religiosidade popular e da memória coletiva dos serra-talhadenses.

A capela passou por reformas graças à colaboração de diversos moradores e devotos. Entre aqueles que contribuíram para sua preservação está João Faz Tudo, lembrado pelo empenho em manter vivo aquele patrimônio religioso.

Dona Diolina faleceu em 1998, deixando os filhos Elias (já falecido) e Heleno, que atualmente reside no Estado de São Paulo.

Mais do que um pequeno templo religioso, a Cruz da Moça representa um lugar de memória. Ela preserva a lembrança de um episódio que marcou profundamente Serra Talhada e demonstra como a fé popular foi capaz de transformar um cenário de dor em um espaço permanente de oração, devoção e esperança para gerações de moradores.

Veja também: https://faroldenoticias.com.br/uma-historia-de-amor-odio-e-a-cruz-da-moca-em-serra-talhada/

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