Publicado às 06h10 desta quarta-feira (3)

Por Manu Silva, redatora/repórter do Farol de Notícias

Todo mundo fala que a maternidade transforma da mulher que escolhe. Uma mãe é capaz de tudo para defender seus filhos, inclusive protestar e denunciar um crime de racismo. Nesse fim de semana a internet foi tomada pelas imagens da atriz Giovanna Ewbank discutindo com outra mulher em Portugal após um ela mandar seus empregados “tirar aqueles pretos imundos daqui”, se referindo a Titi e Bless, filhos de Giovanna e Bruno Gagliasso.

Os grandes portais de notícias deram repercussão ao caso. Segundo uma nota da Assessoria de Giovanna e Bruno, a racista estava alcoolizada e xingou outra família de angolanos presentes no restaurante. O vídeo da reação de Ewbank viralizou e a internet virou um tribunal de avaliações sobre o caso. Tanto que despertou o retorno desta colunista a escrever sobre o assunto. Racistas não passarão!

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A suspeita do crime de racismo foi detida, mas já liberada. Será que as instituições de poder público no mundo estão fazendo prevalecer realmente os direitos dos negros? Minimizar e não punir casos como esses é institucionalmente permitir que o racismo e a injúria racial continue a acontecer. É necessário um escarcéu na internet para que um racista seja responsabilizado pelos seus atos? Sempre? Só dias de luta sem nenhuma glória?

MÃE TEM COR?

Não deveria. Mas a proporção que o caso com Giovanna Ewbank e seus filhos tomou nos faz refletir alguns pontos. Inclusive, o debate nas redes sociais colocou Taís Araújo no coco de roda, relembrando um caso de 2017 quando também partiu em defesa de seu filho contra ataques racistas. Por isso até hoje ela e Lázaro Ramos não expõem os filhos nas redes sociais. No meio dos exemplos foi lembrado também Will Smith no Oscar deste ano. A força do descontrole emocional vindo de uma pessoa negra não é aceitável e nem é tão legitimado quanto quando acontece com o “salvador branco”. Animalização da pessoa negra que “precisa ser domesticada”, “educada”, “ter bons modos” ainda é viva.

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A mãe de Miguel, Mirtes Santana, até hoje luta, protesta e chora pela morte do filho no elevador do prédio que trabalhava. A acusada, Sara Corte Leal, ex-patroa de Mirtes que não pode se dar ao trabalho de cuidar por 5 minutos do garoto negro, segue em liberdade e a justiça de Pernambuco negou a prisão mesmo diante da condenação a 8 anos e seis meses. A justiça feita pelos homens, também tem cor e classe. Até hoje as mães pretas choram a dor, a perda e a impunidade dos crimes cometidos contra os seus.

Perdi minha mãe aos seis anos e hoje ao ler as manchetes fiquei me perguntando se ela passou por algo parecido. Minha mãe era branca, meu pai é negro! Dizem que minha personalidade é muito semelhante a dela, me orgulho muito disso. Mas o que ela não deve ter passado naquela época? Nos anos 1990 falar sobre preconceito não era natural. Lembro vagamente de situações relacionadas ao meu cabelo, a falta de jeito de lidarem com ele e tentarem domestica-lo. Quantas vezes ela precisou me defender da maldade do mundo?