Colunista do Farol diz que a prefeita Márcia cria desgastes para o seu governo
Foto: Vinícius Campos/Farol de Notícias

Por Paulo César Gomes, Professor, escritor e colunista do Farol

De forma desnecessária, a prefeita Márcia Conrado vem assumindo desgastes políticos que poderiam ser facilmente evitados. Quem conviveu com ela quando ocupava o cargo de secretária municipal de Saúde conheceu uma gestora sensata, acessível, disposta a ouvir, que falava pouco e se expunha menos.

Durante cerca de seis anos, manteve uma postura discreta, prudente e atenta aos conselhos daqueles que buscavam ajudavam sem interesse, apenas por apostar nas qualidades e virtudes.

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Três episódios ilustram bem essa mudança:

O primeiro ocorreu em 2025, quando a Prefeitura encaminhou à Câmara Municipal um Projeto de Lei que, entre outros pontos, previa a municipalização do saneamento básico e deixava margem para a futura cobrança de uma taxa municipal pela prestação do serviço.

Após assumir a Prefeitura, entretanto, essa postura parece ter mudado. Seja por escolha pessoal, excesso de confiança, vaidade política ou pela influência de determinados auxiliares, a prefeita passou a assumir posições e tomar decisões que, em muitos casos, se revelaram verdadeiros “cavalos de Troia”, gerando desgastes desnecessários para sua gestão.

Na ocasião, integrantes do Instituto Histórico de Serra Talhada chamaram atenção para a ausência de dispositivos voltados à proteção ambiental e decidiram consultar a Procuradoria-Geral do Estado. O parecer recebido apontava a inconstitucionalidade do projeto.

Esse parecer foi apresentado na tribuna da Câmara de Vereadores, numa tentativa de convencer os parlamentares a rejeitarem a proposta. Em resposta, o presidente da Casa abriu espaço para que o procurador do Município, Cecílio Tiburtino, defendesse a constitucionalidade da matéria.

Entretanto, outro aspecto importante permaneceu pouco esclarecido durante o debate público. O projeto fazia parte da estratégia para viabilizar recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, destinados a obras de saneamento e drenagem em três ruas do entorno do Parque dos Ipês. Em outras palavras, além da controvérsia jurídica, faltou transparência quanto aos reais objetivos da proposta.

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Mesmo diante das advertências, a maioria dos vereadores da base governista aprovou o projeto. Pouco tempo depois, a própria Câmara reconheceu que a lei não possuía validade jurídica, extinguindo seus efeitos em razão da inconstitucionalidade.

E O SEGUNDO?

O segundo episódio foi igualmente constrangedor. Um decreto de luto oficial foi divulgado por um assessor da prefeita e acabou repercutindo na imprensa antes mesmo de ela tomar conhecimento do seu conteúdo. Ainda assim, trata-se de um auxiliar que continua desfrutando de sua absoluta confiança.

Agora surge um terceiro desgaste, talvez o mais desnecessário de todos. A Prefeitura decidiu travar uma disputa em torno dos nomes das creches construídas pelo Governo do Estado. Trata-se de uma polêmica que poderia ter sido evitada e que, ao que tudo indica, atende mais a uma interpretação jurídica defendida pela Procuradoria do Município do que ao interesse da população.

Entre todos os nomes envolvidos nessa discussão, o que mais me entristece é ver a memória da professora Lidiane Nogueira sendo utilizada em um debate político dessa natureza. Conheci Lidiane ainda criança. Tive, juntamente com meu irmão Roberto Gomes, o privilégio de conviver com sua avó, sua mãe e sua tia, Penha Nogueira. Também acompanhei, com tristeza, sua partida precoce, aos 42 anos, deixando órfã uma filha, Clara, e que já havia perdido o pai.

Lidiane Nogueira não precisava e não merece, ser colocada no centro de uma disputa política pequena e rasteira. Pela simplicidade, honestidade e dignidade que marcaram sua vida, tenho convicção de que ela jamais aceitaria ser instrumento desse tipo de controvérsia.

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Espero sinceramente que sua memória seja preservada e que qualquer homenagem destinada a ela aconteça de maneira justa, respeitosa e à altura da pessoa que foi.

PROCURADOR AMPLIA CONFLITOS

Por fim, acredito que o procurador do Município deveria concentrar seus esforços em auxiliar a prefeita na solução dos inúmeros problemas enfrentados pela administração pública, em vez de protagonizar conflitos que apenas ampliam o desgaste político do governo.

Todo cargo público possui limites legais e institucionais. Cabe à Procuradoria defender os interesses jurídicos do Município, conforme estabelece a Lei Orgânica Municipal, e não estimular disputas políticas que pouco contribuem para melhorar a vida da população.

No fim das contas, são justamente esses desgastes evitáveis que acabam comprometendo a imagem de uma gestão que enfrenta desafios muito mais importantes e urgentes do que debates que poderiam ser resolvidos pelo diálogo, pelo bom senso e pelo respeito à história das pessoas envolvidas.