Da ISTOÉ

Foto: ELTA/AFP

O ditador de Belarus, Alexander Lukashenko, lançou mão de um expediente arriscado e desumano na sua disputa com a União Europeia. O autocrata abriu as fronteiras do seu pequeno país – situado entre a Rússia, a Polônia e a Lituânia – para a entrada de milhares de refugiados vindos principalmente da Síria, do Iraque e do Afeganistão. Lukashenko não fez isto para oferecer empregos e melhores condições de vida a estas pessoas.

A polícia e grupos paramilitares de Belarus – antiga Bielo-Rússia, última ditadura da Europa – pressionam os imigrantes a que entrem ilegalmente na União Europeia, através da fronteira com a Polônia. Imagens divulgadas pela polícia polonesa na quarta-feira, 10, não deixam dúvidas. Milhares de pessoas se amontoam em barracos precários na fronteira de 400 quilômetros entre Belarus e a Polônia, com o objetivo de entrar na União Europeia. Lukashenko governa Belarus com punhos de ferro desde 1994. É um dinossauro da era soviética, que sobreviveu ao próprio fim do comunismo.

Qual é o objetivo de Lukashenko? Ao instrumentalizar milhares de imigrantes desesperados, ele pretende que a Europa retire as sanções econômicas que atingem a sua ditadura desde o começo deste ano. A economia de Belarus não sobrevive apenas do comércio com a Rússia, sua parceira política. Mas ao desfechar uma repressão brutal contra o próprio povo nos últimos anos, Lukashenko atraiu as sanções de Bruxelas. Daí a pressão sobre a fronteira polonesa, que por uma série de razões é um ponto fraco no limite da UE. Em novembro, a temperatura na região já caiu para quase zero grau. Se o clima esfria com a proximidade do inverno, entre os refugiados ele esquenta. Ao lado da Polônia – portanto, da Europa – as pessoas querem entrar de qualquer jeito.

As guerras na Síria e no Iraque acabaram, mas os países estão destruídos, sem infraestrutura e empregos. No Afeganistão, o grupo fundamentalista Talibã, após expulsar os americanos, agora enfrenta o Estado Islâmico. O fundamentalismo mudou de patamar: frente à selvageria do Estado Islâmico, até o Talibã parece razoável. Para milhares de afegãos, nenhum dos dois serve. A abertura das fronteiras de Belarus para os imigrantes do Oriente Médio e da Ásia Central é um convite irresistível para que imigrem à vizinha e próspera Europa. Esta é a chantagem de Lukashenko.