Foto: Ricardo Stuckert/Assessoria

Publicado às 06h40 desta quinta-feira (21)

Logo no início do ato do Movimento Vamos Juntos Pelo Brasil em Serra Talhada, no Sertão de Pernambuco, na noite de hoje, 20, uma senhora de 79 anos roubou a cena com um discurso simples, mas emocionante. Maria Xavier Feitosa, conhecida na região como dona Buruca, comemorou a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à cidade e falou sobre um dos programas mais importantes realizados pelos governos petistas do Nordeste.

“O companheiro está de volta e Serra Talhada, o Nordeste e o Brasil estavam precisando dele. Para matar a fome, e a sede também”, disse ela. “Eu nunca esqueci das cisternas que vocês fizeram. A gente não tinha onde botar a água aqui. A gente buscava água na cabeça e doía tudo. Era um balde na cabeça e outro na cozinha onde a gente botava a água que a gente ia lá buscar”.

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O programa Água Para Todos, que fazia parte das políticas de combate à miséria iniciadas no governo Lula, construiu um total de 153 mil cisternas para armazenamento de água, tanto residencial quanto para a produção agrícola, somente em Pernambuco (quase 1,42 milhão em todo o Brasil). Dessas, Serra Talhada recebeu cerca de 3,5 mil cisternas.

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Dona Buruca também falou sobre outro aspecto do crescimento da região, o acesso dos moradores a veículos que hoje estão parados por conta dos altos preços dos combustíveis. “Você tirou as pessoas do cavalo e do jumento e colocou no carro e na moto, e agora não pode mais rodar. Não pode mais comprar gasolina, ou vende ou a ferrugem vai comer”, lamentou. “Volta, Lula, o Brasil precisa”.

Nascida e criada em uma fazenda em Serra Talhada, dona Buruca luta há 30 anos junto ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais, com a FETAPE (Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco) e outros movimentos que, além das cisternas, ajudaram a trazer o Banco do Nordeste para a região, como instrumento de fomento à produção agrícola.

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Lula agradece Serra Talhada

Em seu discurso, o ex-presidente Lula agradeceu o apoio que sempre recebeu dos moradores de Serra Talhada nas diversas eleições que disputou. Na eleição de 2010, ele teve 90,8% dos votos no segundo turno, quando disputou a reeleição, um dos seus melhores resultados em todo o país.

“Eu tenho uma dívida de gratidão com vocês, vocês fizeram uma coisa por mim que talvez nem todo mundo saiba, eu nunca perdi uma eleição em Serra Talhada, Mas vocês não sabem o que fizeram por mim. Na última eleição que eu participei, vocês me deram 90,8% dos votos. Se eu pudesse, dava um beijo em agradecimento em cada um”, disse ele.

O ex-presidente recordou a infância em Pernambuco, quando a fome e a sede obrigaram sua família a se mudar para São Paulo. Ele falou de um local em Caetés, sua cidade natal, que era chamado de “cemitério de anjos”, onde eram enterrados os bebês recém-nascidos que não resistiam à fome e à sede.

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“Eu sou de um tempo que as crianças morriam muito cedinho, antes de completar um ano de idade, por desnutrição, e as criancinhas que morriam sem ser batizadas eram enterradas como pagã. E perto da minha casa tinha um terreno cheio de criancinha enterrada, e morria de quê? De fome. Como é que é possível esse país, que é o terceiro produtor de alimento do mundo, o primeiro produtor de proteína animal do mundo, como é que pode esse país ter fome? Como é que pode as pessoas ficarem pegando osso? Comendo carcaça de frango? Não tem explicação. Não é econômico, é simplesmente falta de caráter e de vergonha de quem governa esse país”, criticou.