Da BBC News

Um ataque de drone realizado pelos EUA perto do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, matou dez membros de uma mesma família – incluindo seis crianças -, segundo relataram familiares à BBC.

As dez pessoas foram mortas quando um carro estacionado em sua casa foi alvo de uma explosão, em consequência do ataque de drone realizado no último domingo (29/8).

O Exército dos EUA afirmou que o alvo era um veículo que carregava ao menos uma pessoa associada ao Isis-K, braço afegão do grupo autodenominado Estado Islâmico, e agregou que pessoas ao redor podem ter sido atingidas em explosões que e seguiram ao ataque.

Segundo o relato dos familiares, a criança mais nova a ser morta era Sumaya, uma menina de dois anos, e a mais velha era o menino Farzad, de 12 anos.

“É errado, é um ataque brutal, e foi feito com base em informações erradas”, declarou à BBC Ramin Yousufi, parente das crianças.

Em lágrimas, ele acrescentou: “por que mataram nossa família? Nossas crianças? Eles foram tão carbonizados que não conseguimos identificar seus corpos, seus rostos.”

Emal Ahmadi é o pai da menina de dois anos que foi morta. “Eles (EUA) cometeram um erro, um grande erro”, declarou. Ahmadi contou à BBC que ele e o restante da família se inscreveram para serem levados do Afeganistão aos EUA e estão à espera de um telefonema a respeito de quando devem se deslocar ao aeroporto.

Um dos inscritos era Ahmad Naser, que acabou sendo morto no ataque de domingo e que, anteriormente, havia trabalhado como tradutor para as tropas americanas no Afeganistão. Outras das dez vítimas haviam trabalhado para organizações internacionais e tinham visto de entrada nos EUA.

Sumaya, de dois anos, é apontada como a vítima mais jovem das explosões de domingo

O secretário de imprensa do Pentágono, John Kirby, disse a jornalistas que o governo americano “não está em posição de contestar” os relatos de vítimas civis e que o caso está sendo investigado.

“Não tenham dúvidas, nenhum Exército na face da Terra trabalha mais para evitar mortes de civis dos que o dos EUA, ninguém quer ver vidas inocentes serem tiradas”, declarou. “Levamos isso muito a sério e quando sabemos que causamos perdas de vidas inocentes na condução de nossas operações, somos transparentes a respeito.”

Kirby defendeu a inteligência em torno do que “acreditávamos ser uma ameaça muito real, muito específica e muito iminente” contra o Aeroporto Internacional de Cabul por parte do Isis-K.

Em um comunicado anterior, o Comando Central dos EUA havia dito que tinha havido “substanciais e poderosas explosões subsequentes” ao ataque do drone no domingo. Essas explosões, diz o comunicado, indicam que “havia uma grande quantidade de material explosivo dentro (do alvo), o que pode ter causado mortes adicionais”.

Os EUA estão em alerta máximo desde que um atentado suicida matou mais de 100 civis e 13 militares americanos nas proximidades do aeroporto na quinta-feira passada (26/8). O Isis-K reivindicou responsabilidade pelo ataque.

Muitas das vítimas eram pessoas na expectativa de embarcar em um dos voos de evacuação que estão levando afegãos e estrangeiros para fora do Afeganistão, depois da tomada do poder central por parte do Talebã.

Os EUA têm alertado que atentados do tipo poderiam ocorrer até 31 de agosto – prazo final para a retirada total americana do país. Segundo o The New York Times, já na noite desta segunda-feira (30/8) não havia mais nenhuma presença americana restante no Afeganistão. O Comando Central dos EUA afirma ter conseguido retirar do país 123 mil civis.

Mulher afegã passa por controle dos EUA para entrar no aeroporto de Cabul; tropas americanas estavam em alerta máximo após atentado ocorrido no dia 26

Mais cedo nesta segunda-feira (30/8), O sistema anti-mísseis dos EUA interceptou um foguete que sobrevoava Cabul em direção ao aeroporto, segundo autoridades americanas. O Isis-K reivindicou responsabilidade por cinco foguetes disparados. Não houve relato de nenhuma vítima relacionada a esse episódio.

Enquanto isso, países do G7 (grupo de países ricos que abriga EUA, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão) para definir uma abordagem conjunta diante do Talebã.