Publicado às 04h46 desta quarta-feira (31)

Por Jorge Apolônio, serra-talhadense, policial federal e integrante da Academia Serra-talhadense de Letras (ASL)

Ora, o mundo não vai acabar por causa da eleição de Bolsonaro. Talvez até melhore. Agora é torcer e até contribuir, se puder, para que ele faça um bom governo, pois o sucesso dele será consequentemente o sucesso de TODOS os brasileiros. Necessitamos que todos os governos deem certo, inclusive este. O fracasso dos governos do PT resultou nessa tragédia que está aí, ainda que o partido, juntamente com toda a esquerda, cinicamente não admita como obra sua. Nesta eleição, o PT ainda obteve o voto de cerca de um terço do eleitorado, mas há dois terços que não o aprovam. Ou votam contra ou nem votam.

Evidentemente que a oposição precisa cumprir seu papel que é, óbvio, o de fazer oposição. Até porque sem oposição não há democracia. Porém é preciso saber perder. E isso a esquerda brasileira, não só o PT, não sabe. O discurso inconformado e revanchista de Haddad imediatamente após o resultado de sua derrota foi decepcionante para quem é de fato democrata. Ele que ali tanto insistiu em defender a democracia não poderia ter dado demonstração tão contraditória e rançosa. Não teve espírito democrático sequer para cumprimentar o vencedor. É fato que no dia seguinte fez o cumprimento via tuíte, mas demorou. Percebeu como inadmissivelmente antidemocrático tinha sido seu gesto anterior. Menos mal.

E Lula? Lula foi ao mesmo tempo o maior cabo eleitoral tanto de Haddad, claro, quanto de Bolsonaro. Ele tanto influenciou milhões de votos a favor do PT quanto contra. Nos votos contra, ele foi muito mais eficaz. A direita agradece.

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Finda a campanha, alcançada a vitória, no dia seguinte, surge um presidente eleito sereno e agregador. É assim que tem que ser. Os arroubos da campanha, que não deveriam existir nem lá, não cabem mais neste momento. É outra fase, outro estágio em que o eleito se apresenta para os que o queriam e os que não o queriam, mas vão ter que aceitar porque dói menos. Democracia é isso. Não cabe a reação estúpida do Boulos de marcar um protesto para dois dias depois de uma eleição lícita. Ora, vai protestar contra um governo que nem existe ainda?! Isso é insano.

A imprensa nacional já demonstra uma certa boa vontade com o presidente eleito e o classifica como de direita, o que de fato ele é, mas a imprensa internacional, desconhecendo seu real perfil, tasca-lhe a pecha de extrema direita invariavelmente. Aliás, assim como quem xinga, a esquerda nacional extravasa sua ira ao tachá-lo disso e de outras “pérolas” como homofóbico, racista, misógino etc. Qual o adversário da esquerda que não é tudo isso e mais um tanto de monstro? Virou clichê. Nem cola mais. Fica só a retórica batida e chula para aliciar seguidores sedentos por uma causa em que possam manifestar seu protesto, mesmo que injusto, como nas universidades, por exemplo. Mas, para a esquerda, antidemocráticos são os outros quando praticam os mesmos atos que ELA pratica.

Que venha o novo governo. As necessidades urgem.