pronatecColaborou Alana Costa (do Farol de Notícias)

Sem bolsa de estudos, material didático, certificados e fardamento, dezenas de estudantes do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do governo federal que funciona em Serra Talhada em parceria com o IFSertão (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão pernambucano), estão revoltados com a falta de organização dos cursos. Muitos procuraram o FAROL para denunciar a ausência de estrutura e apoio didático. As aulas vêm funcionando com várias deficiências prejudicando jovens que buscam qualificação profissional.

“Desde o início esse curso vem dando dor de cabeça para a gente. O administrador desse curso do Pronatec é o IF Sertão, que não é compromissado com os alunos que se inscrevem num curso. Todos querem estudar, ter uma especialização, ter boas aulas, auxiliados pelos professores e com a ajuda do material. E, ao fim do curso, querem seus certificados, suas bolsas… Mas, não tivemos nada disso”, reclamou o estudante Givanildo Roque. Ele lamenta que a parceria entre o Pronatec e o IFSertão vem sendo encarada pela maioria dos alunos como um fiasco em Serra Talhada.

“Pois ficamos até sem professores. Quando era pra um professor tinha aula vaga e nós estávamos sem alguém para dar aula, éramos nós que conversávamos com esses professores para dar aquela aula e suprir nossa carência, ao invés do curso se prontificar para fazer isso. Os materiais também, por exemplo, o curso de apicultura, que precisamos de luva, chapéu, bota, jaleco… Ninguém recebeu o material específico para o trabalho em campo, e das vezes que o utilizamos, foi uma professora que conseguiu emprestado com a Escola Agrícola”, revelou.

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dinheiroALUNOS PAGAM PARA ESTUDAR

Outra estudante, Vânia Roque, declarou ao FAROL que, ao invés de receberem ajuda de custo para bancar transporte e alimentação os estudantes estão gastando dinheiro com a compra de material didático e pagando vans fretadas ou ônibus vindos de bairros distantes como o Vila Bela e de municípios vizinhos como Floresta e Belmonte.

“Materiais também como mochila, caderno, fardamento, apostila… Não recebemos nada disso e curso acabou e não recebemos. O que utilizávamos nas aulas era retirados pelos professores da internet e a gente tinha que pagar essas xerox. Nosso coordenador, em todo esse tempo, ele apareceu num sábado. O curso deveria ter durado 2 meses e meio, mas foi se arrastando, se arrastando… Com falta de material, falta de professor, falta de apoio, falta de transporte, falta de organização, o curso durou 4 meses”, reclamou Vânia Roque.

Outra estudante indignada, Josilene Correa, lamentou a falta de pagamento das bolsas de estudo. “Foi explicado também que receberíamos o dinheiro da bolsa, que é um auxílio, ao fim de cada mês de duração do curso. O curso já acabou e não recebemos nada. E ainda corremos os risco que não ter o 4º mês pago, ou seja, quem vem do Vila Bela pagando ônibus ou os alunos de outras cidades, como São José do Belmonte e Floresta, que vem de lotação, vão ficar no prejuízo?”.

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DúvidasATRASO NOS CERTIFICADOS

Além da falta de professores e apoio didático, os estudantes denunciam também o atraso na emissão de certificados. “Isso vem acontecendo com todos os cursos administrados pelo IFSertão, que acontecem lá no colégio Cônego Torres. Se íamos em busca de informação não tinha quem nos respondesse.  Descaso total da parte deles. Nem o certificado a gente recebeu. O coordenador nos disse que, talvez, daqui há 45 dias, caso não dê problema na gráfica. E o dinheiro daqui há 15 dias. Para encontrarmos esse homem foi sufoco. Nos disseram que ele estaria aqui no sábado, então montamos plantão no Cônego Torres e só saímos de lá depois de falar com ele”, lamentou Givanildo Roque.

“A nossa intenção ao procurar o FAROL é deixar a população ciente do que acontece nos cursos do IFSertão, de toda essa confusão. Buscamos também que, divulgando isso, eles nos entreguem nossos certificados e nossas bolsas. E também para impedir que mais pessoas sejam lesadas como nós fomos. Faltou organização, faltou respeito. Acredito que só se deve abrir um curso assim quando se tem estrutura, organização e administração; caso contrário, só dá coisa errada e problema”, expôs, com indignação, a estudante Josilene Correa.

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ifsertãoOUTRO LADO: IFSERTÃO CULPA BUROCRACIA

O FAROL entrou em contato, por diversas vezes, por telefone, com o coordenador dos cursos do Pronatec/IFSertão, Pedro Noronha, que mora em Petrolina, mas não obtivemos sucesso. Já o supervisor dos cursos, Isaías Lima, mostrou-se solícito e deu uma previsão para que todos os entraves sejam resolvidos. Segundo ele, os problemas relatados pelos estudantes se confirmam e até o final de agosto todos serão ressarcidos.

“Temos previsão de chegar o dinheiro da bolsa, certificados e demais materiais até esta sexta-feira (29). Mas já marcamos isso umas três vezes junto ao IFSertão e não deu certo. É um processo burocrático muito grande, passa por licitação e por isso demora. Mas, até o final de agosto, dia 29, tudo será resolvido”, garantiu o supervisor.

Atualmente, o Pronatec vem sendo utilizado como um dos principais carros-chefes da campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff (PT), que demonstra não estar ciente das adversidades que o programa vem enfrentando Brasil a fora.

Outras instituições como o Senac e UFRPE/Codai (Colégio Dom Agostinho Ikas) oferecem cursos pelo Pronatec na capital do xaxado. Até o momento, em parceria com estes dois centros, o FAROL não recebeu reclamações.