Da CNN Brasil

Imagens de satélite sugerem que as recentes inundações na Coreia do Norte podem ter danificado casas de bombas conectadas à principal instalação nuclear do país, avaliaram, nesta quinta-feira (13), analistas da 38 North, um centro de estudos com sede nos EUA, especializado em monitorar a Coreia do Norte.

Segundo o think-tank, imagens de satélite comercial de 6 a 11 de agosto mostraram como os sistemas de resfriamento do reator nuclear do Yongbyon Nuclear Scientific Research Center são a eventos climáticos extremos.

A península coreana foi atingida por uma das mais longas temporadas de chuva da história recente, com enchentes e deslizamentos de terra causando danos e mortes tanto na Coreia do Sul quanto na do Norte.

Localizada na margem do rio Kuryong, cerca de 100 quilômetros ao norte da capital da Coreia do Norte, Pyongyang, Yongbyon abriga reatores nucleares, usinas de reprocessamento de combustível e instalações de enriquecimento de urânio que se acredita serem usadas no programa de armas nucleares do país.

O reator de cinco megawatts – que se acredita ser usado para produzir plutônio para armas – não parece estar operando há algum tempo, e um Reator Experimental de Água Leve (ELWR) ainda não entrou em operação, mas tal inundação no futuro provavelmente forçar um desligamento, disse o relatório 38 North.

“Danos às bombas e às tubulações dentro das casas de bombas apresentam a maior vulnerabilidade aos reatores”, disse o relatório. “Se os reatores estivessem funcionando, por exemplo, a impossibilidade de resfriá-los exigiria que fossem desligados.”

As enchentes aparentemente não atingiram a Planta de Enriquecimento de Urânio da instalação de Yongbyon e em 11 de agosto as águas parecem ter baixado, disse a 38 North.

A mídia estatal da Coreia do Norte não mencionou nenhum dano a Yongbyon, mas relatou esta semana que os líderes seniores estiveram visitando as áreas afetadas pelas enchentes, entregando ajuda e fornecendo orientação sobre como evitar que a enchente danifique as plantações.

O Ministério da Defesa da Coreia do Sul se recusou a comentar o relatório, mas disse que está sempre monitorando os desenvolvimentos relacionados aos programas nucleares e de mísseis da Coreia do Norte e mantendo uma cooperação estreita com o governo dos EUA.

Em uma cúpula com o presidente dos EUA Donald Trump no Vietnã em 2019, o líder norte-coreano Kim Jong Un se ofereceu para desmantelar Yongbyon em troca de alívio de uma série de sanções internacionais impostas sobre as armas nucleares e programas de mísseis balísticos da Coreia do Norte.

Na época, Trump disse que rejeitou o acordo porque Yongbyon é apenas uma parte do programa nuclear do Norte e não era uma concessão suficiente para justificar o afrouxamento de tantas sanções.