Deputadas Erika Hilton e Duda Salabert cobram Raquel Lyra sobre fotos em álbum de suspeitas de crime
Foto: Antonio Araújo / Câmara dos Deputados e Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Do g1

As deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) cobraram explicações ao governo de Pernambuco após terem suas fotos incluídas em um álbum usado pela Polícia Civil para reconhecimento de suspeitas em um caso de roubo de celular no Recife. As parlamentares alegaram racismo e transfobia no caso.

A história veio à tona na terça-feira (24), depois que as duas deputadas foram comunicadas da inclusão por uma defensora pública de Pernambuco. Nesta quarta-feira (25), a governadora Raquel Lyra (PSD) chamou o caso de “inadmissível” e afirmou que determinou apuração rigorosa pela Secretaria de Defesa Social (SDS).

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As imagens de Duda e Erika aparecem em um álbum com fotos de seis pessoas apresentado à vítima de um roubo, como possíveis suspeitas. O crime aconteceu em fevereiro de 2025 e, no dia 8 de abril, a Polícia Civil realizou o procedimento de reconhecimento fotográfico.

Duda Salabert foi alertada sobre o caso pela defensora pública Gina Ribeiro Gonçalves Muniz. Para a defensora, além de “afrontar a dignidade” das parlamentares, a apresentação de álbum fotográfico pautado “em características identitárias, e não em traços físicos individualizantes” contamina “irremediavelmente a validade do ato probatório”.

Fotos das deputadas Duda Salabert e Erika Hilton em álbum de reconhecimento de suspeitos — Foto: Reprodução

Nas redes sociais, Erika Hilton afirmou que acionou a governadora para cobrar respostas do porquê de ter sido inserida no álbum. Segundo ela, o uso do reconhecimento fotográfico tem normas claras, definidas pelo Código Penal, e que o caso em questão demonstra incompetência, discriminação e transfobia.

“Quantos deputados brancos constam no álbum de reconhecimento fotográfico da Polícia Civil de Pernambuco quando o suspeito é um homem branco? Quantas deputadas mulheres cis constam no álbum de reconhecimento fotográfico quando a suspeita é uma mulher cis? Quantos deputados idosos constam no álbum de reconhecimento fotográfico quando o suspeito é um idoso? Eu chuto, com muita confiança, que a resposta para essas três perguntas é ZERO”, disse.

Já Duda Salabert classificou o caso como um “absurdo”. “Isso é gravíssimo! Isso é racismo e transfobia institucional. Já acionei a Justiça. Não vamos aceitar que identidade de travestis vire critério de suspeição”, afirmou, também nas redes sociais.

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Ainda nas redes, Erika Hilton lembrou que pessoas trans, negras ou pobres conseguem “com muita luta, sair das ruas”, mas mesmo assim, “a polícia vai tentar nos associar às esquinas ou à cena de um crime. Por isso, queremos respostas e queremos mudanças”.

Governadora anuncia investigação

Na manhã desta quarta-feira, Raquel Lyra também foi às redes sociais falar sobre o caso, e anunciou uma investigação.

“Inadmissível o uso da imagem das deputadas federais Duda Salabert e Érika Hilton pela Polícia Civil de PE. Determinei apuração rigorosa com abertura de processo na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social. Preconceito e violência simbólica não são tolerados em PE”, afirmou.

Pouco tempo depois, as duas deputadas agradeceram à governadora.

“Conversei hoje, ao telefone, com a governadora Raquel Lyra, que me pediu desculpas […] Ela também se comprometeu com a devida apuração dos fatos e dos responsáveis por essa agressão simbólica e transfóbica cometida contra mim e a deputada Duda Salabert. Agradeço à governadora pela ligação e pelo compromisso assumido”, disse Erika Hilton.

Duda Salabert também falou sobre a investigação, e disse que erros como esse fragilizam as apurações de crimes.

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“Muito obrigada, governadora Raquel Lyra, pela atitude. Muito importante essa apuração, pois o erro cometido pela Polícia Civil fragiliza a investigação de crimes e abre espaço para estigmatização das identidades trans. Segurança pública é uma das prioridades em sua gestão e em minha atuação parlamentar. É fundamental que esse caso gere mudanças concretas nos protocolos para evitar injustiças”, declarou.

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O que diz o governo de PE

Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou que:

– apura rigorosamente os fatos e que todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas;
– mantém diretrizes e protocolos contínuos para orientar a atuação dos servidores, com foco em uma conduta ética e responsável.
– repudia qualquer prática de preconceito ou discriminação;
– reforçou o compromisso com a dignidade humana, o cumprimento da lei e o atendimento igualitário à população.