Do Diario de PE

Os grevistas mobilizados contra a polêmica reforma da Previdência na França querem “manter viva a chama” durante o Natal, e, nesta segunda-feira, pelo 19º dia consecutivo, bloqueavam boa parte dos transportes públicos.

Após um fim de semana de início de férias complicado para os viajantes, circulavam hoje apenas 40% dos trens de alta velocidade e trens expressos regionais, 20% dos trens suburbanos, e um quarto dos trens de média distância.

Na região de Paris, o tráfego continuava extremamente reduzido, com seis linhas de metro sem circular, de um total de 16. As únicas com operação normal eram as duas linhas automatizadas. Ainda assim, houve interrupções depois que um grupo de manifestantes bloqueou pela manhã, de forma breve, a linha 1 do metrô, invadindo as vias da estação Gare de Lyon.

“O livre exercício do direito à greve não dá o direito de invadir, bloquear e intimidar os viajantes”, reagiu a ministra da Transição Ecológica, Elisabeth Borne. “A rotina daqueles que precisam se deslocar já é bastante difícil para terem que aguentar este tipo de ação inadmissível, que reprovo.”

A rede expressa regional (RER) limitou-se aos horários de pico. Para alguns usuários, deslocar-se para as confraternizações natalinas será tão complicado quanto ir trabalhar nos últimos dias.

Amanhã, os trens suburbanos da região de Paris deixarão de circular progressivamente a partir das 18h, até, pelo menos, a tarde de quarta-feira, advertiu a operadora ferroviária pública SNCF ontem.

Sem solução à vista
Até o momento, não há solução à vista, goste o presidente francês, Emmanuel Macron, ou não. Durante visita à Costa do Marfim no último sábado, ele disse aos grevistas que “é bom saber fazer uma trégua” e invocar seu “senso de responsabilidade”.

O novo secretário para as Aposentadorias, Laurent Pietraszewski, considerou ontem que as propostas apresentadas à SNCF e à RATP, relativas à progressão da redução da idade de aposentadoria ou do nível de aposentadoria, deveriam “permitir retornar ao trabalho”. A maioria dos sindicatos não concorda, e alguns planejam ações para o próximo dia 28.

O projeto de reforma quer substituir os 42 sistemas de pensão existentes – alguns dos quais permitem que determinadas categorias, principalmente maquinistas, aposentem-se antes – por um “sistema universal” por pontos. Também inclui uma forte incitação a se trabalhar até os 64 anos, em vez dos 62 de idade “legal” para a aposentadoria.

Pietraszewski descartou ontem voltar atrás em relação à “supressão dos regimes especiais”. O novo secretário de Estado para as Aposentadorias deveria apresentar “nesta segunda-feira um programa e um calendário de diálogo”, com reuniões com os sindicatos no começo de janeiro.

O governo prevê apresentar o projeto de lei sobre a reforma ao Conselho de Ministros em 22 de janeiro. Os sindicatos Confederação Geral do Trabalho (CGT) e Força Operária (FO), oponentes mais ferrenhos da reforma, convocaram uma mobilização para 9 de janeiro.