Da Revista Veja

Foto: Andrew Harnik/Getty

O secretário de Justiça dos Estados Unidos, Merrick Garland, anunciou nesta quarta-feira, 21, o início de uma investigação federal sobre o Departamento de Polícia de Minneapolis, cidade onde George Floyd foi morto em maio de 2020. A investigação terá como objetivo apurar as práticas e a cultura da divisão e foi anunciada um dia depois que o ex-policial Derek Chauvin foi considerado culpado pela morte de Floyd.

Garland afirma que a inquirição de “padrão ou prática” será conduzida separadamente de outra aberta ainda durante o governo Trump para averiguar se os direitos civis de George Floyd foram violados durante sua prisão e morte. De acordo com o secretário, a análise irá além de um único caso, com o objetivo de determinar se o departamento está envolvido em má conduta sistêmica que constitui “policiamento inconstitucional ou legal”.

A morte de Floyd, um homem negro de 46 anos, gerou indignação generalizada em maio passado, depois que um vídeo que capturou a abordagem do agente de segurança viralizou na internet, mostrando como Chauvin ajoelhou-se sobre o pescoço do suspeito durante mais de oito minutos. Desarmado, o ex-segurança detido sob a suspeita de ter utilizado uma nota de 20 dólares falsa repetiu “eu não consigo respirar” diversas vezes até perder a consciência.

“A justiça às vezes é lenta, vaga e até mesmo falha. O Departamento de Justiça será inabalável em sua busca por justiça igual perante a lei”, disse Garland.

O caso de Floyd é pelo menos a terceira morte de cidadãos negros em ações policiais nos últimos cinco anos na cidade de Minnesota. Além dele, Philando Castle foi morto em 2016 na região de Falcon Heights, e Daunte Wright foi morto no dia 14 de abril após tentar fugir de uma blitz policial.

Esse tipo de investigação não é novidade nos EUA e costuma levar meses e até anos para uma conclusão, que geralmente ocorre com um acordo judicial com o departamento investigado. Nessa, porém, será investigado se os policiais de Minneapolis adotaram um padrão de conduta discriminatória. Além disso, serão analisadas as táticas utilizadas principalmente nos protestos em massa após a morte de Floyd.

“Agradecemos a oportunidade do Departamento de Justiça de usar todo o poder de sua autoridade para responsabilizar o Departamento de Polícia de Mineápolis por todo e qualquer abuso de poder realizados contra a nossa comunidade e estar pronto para ajudar como plenos parceiros”, afirmou a Câmara Municipal da cidade em comunicado após o anúncio da investigação.

Na terça-feira, após mais de 10 horas de deliberações, o júri chegou a um veredicto e condenou Chauvin por homicídio culposo, homicídio de segundo grau e homicídio de terceiro grau, os três crimes pelo qual era acusado.

A sentença final será anunciada em algumas semanas, mas ele pode pegar até 40 anos de prisão. Após ouvir a sentença, o ex-policial, que durante todo o processo se declarou inocente e preferiu não prestar depoimento, foi algemado e levado por seguranças.