Do Diario de PE

O pré-candidato à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é a capa da revista norte-americana Time, desta quarta-feira (4/5). “Presidente mais popular do Brasil retorna do exílio político com a promessa de salvar a nação”, destaca a manchete. A longa reportagem exalta as conquistas dos dois mandatos de Lula e os desafios para as eleições de 2022.

A matéria também não poupa críticas a gestão de Jair Bolsonaro (PL), a quem diz que “deu uma martelada” ao retirar “políticas que ampliavam o acesso de pessoas pobres à educação, limitavam a violência policial contra comunidades negras e protegiam terras indígenas e a floresta amazônica”. Também lembra que Bolsonaro “provavelmente” agravou a crise da covid-19 no Brasil ao chamar o vírus de “gripezinha”, apelidar as pessoas que seguiam as orientações de isolamento de “idiotas” e se recusar a se vacinar e comprar doses para os brasileiros quando eles se tornaram disponíveis pela primeira vez.

A revista destaca a anulação das condenações na Lava-Jato de Lula e a alta popularidade com que o ex-presidente deixou posto mais alto da República em 2010. De acordo com a revista, se eleito, Lula precisará “reavivar uma economia debilitada, salvar uma democracia ameaçada e recuperar uma nação marcada pela segunda maior taxa mundial de mortalidade ligada à covid-19 e por dois anos de gestão caótica da pandemia”.

Na entrevista concedida a revista, Lula afirmou que tem clareza de que pode “resolver os problemas” do Brasil. “Só tem sentido eu estar candidato à Presidência da República porque eu acredito que eu sou capaz de fazer mais e fazer melhor do que eu já fiz”, disse. Sobre possíveis temores do mercado global com a volta dele ao poder, Lula disse que não há com que se preocupar. “Sou o único candidato com quem as pessoas não devem se preocupar [com a política econômica]. Porque já fui presidente duas vezes. Não discutimos políticas econômicas antes de vencer as eleições. Primeiro, você tem que ganhar as eleições. Você tem que entender que em vez de perguntar o que vou fazer, apenas olhe para o que eu fiz”.

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Além da política brasileira, a entrevista também focou na guerra da Ucrânia. Lula não polpou críticas a todos os lados e cravou que o conflito poderia ter sido evitado com diálogo. Para ele, a culpa da guerra está nos presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. “Às vezes fico vendo o presidente da Ucrânia na televisão como se estivesse festejando, sendo aplaudido em pé por todos os parlamentos, sabe? Esse cara é tão responsável quanto o Putin. Ele é tão responsável quanto o Putin. Porque numa guerra não tem apenas um culpado”, disse.