
Na manhã desta quinta-feira (23), três mães atípicas estiveram na Promotoria de Justiça de Serra Talhada para denunciar a falta no fornecimento de fórmulas alimentares destinadas aos seus filhos. Segundo elas, o produto é indispensável para a alimentação das crianças e a interrupção na entrega coloca a saúde dos pacientes em risco.
De acordo com as mães, cada lata custa cerca de R$ 80 e algumas crianças necessitam de até 20 latas por mês, o que torna inviável arcar com os custos sem o apoio do poder público.
Uma das mães, Silvana, relatou que seu filho, Isaac Rafael, diagnosticado com paralisia cerebral, depende exclusivamente da fórmula para se alimentar e ainda apresenta suspeita de broncoaspiração, podendo precisar de uma gastrostomia.
“A situação está muito difícil. Eles dão muita justificativa e a gente não precisa de justificativas, precisa de ação, precisa da fórmula. Sempre dizem que o problema é a licitação, mas meu filho não pode esperar. Ontem avisaram que as 20 latas estavam disponíveis. Quando o pai dele chegou para buscar, queriam entregar apenas duas. Ele passou mal e precisou ir ao hospital. É um descaso muito grande”, desabafou.
Silvana afirmou ainda que, após uma denúncia feita pelas famílias, foi realizada uma reunião com representantes da gestão municipal, mas as mães que haviam denunciado o problema não foram oficialmente convidadas.
“Disseram que a culpa não era da prefeita nem da Secretaria de Saúde. Então eu pergunto: de quem é a culpa? Meu filho tem paralisia cerebral, não escolheu essa condição. Nós pagamos impostos e temos direito ao tratamento”, declarou.
Rocklane é pai de Isaac e também fez um apelo para que a população não faça doações em dinheiro, mas ajude a divulgar a situação:
“Depois do vídeo que fiz, recebi muito apoio e algumas pessoas perguntaram como ajudar, queriam fazer Pix para ajudar, mas não quero vaquinha. Quero que lutem conosco para que nenhuma criança fique sem a fórmula. O problema não é só do meu filho, é de todas as famílias que dependem dessa fórmula”, afirmou.
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Tatiana Monteiro explicou que seus dois filhos necessitam da fórmula por motivos distintos: um está em investigação para autismo e o outro apresenta uma doença que compromete a absorção de nutrientes e por isso, juntos, utilizam cerca de 22 latas da fórmula por mês:
“Cada criança que recebe esta fórmula recebe por uma necessidade específica. No caso dos meus filhos, eles têm atraso de desdenvolvimento, um, está em investigação para autismo, a outra está em investigação de uma doença que não consegue absorver os nutrientes e a gente tenta fazer do jeito que dá, o que consegue fazer”, descreveu.
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Renata Tomé contou que o fornecimento irregular acontece há meses e orçamento aperta quando necessita comprar as latas do prooduto:
“Todo mês é uma luta. No mês passado recebi apenas quatro latas e disseram que eram fruto de uma doação. Ontem chamaram para buscar 12 latas, mas, quando cheguei, quiseram entregar apenas duas. Eu como mãe, que sei onde o sapato aperta, me vi numa situação, passei mal, tive uma crise de ansiedade diante dessa situação”, contou.
A manifestação também contou com o apoio do vereador China Menezes, que cobrou da gestão municipal a resolução do problema:
“A gente, como parlamentar e fiscal do povo, encara isso com tristeza, a realidade que essas mães estão enfrentando, infelizmente. A gente fica triste que são várias mães, são 20 ou mais, mas só quatro que estão dando a cara. Que respeito é esse que a gestão está tendo? Peço à prefeita Márcia Conrado e à secretária Lisbeth que sentem e vamos resolver a situação, que essas mães, há outras coisas piores, mas isso daqui chegou ao extremo do extremo, não podemos estar permitindo que isso aqui aconteça”
As mães esperam que, após a intervenção do Ministério Público, o fornecimento das fórmulas seja regularizado e que os produtos voltem a ser entregues integralmente, conforme a prescrição médica.
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