Fotos: Farol de Notícias/Max Rodrigues

Publicado às 13h24 desta terça-feira (17)

Estamos a 10 dias do início da 231ª Festa da Padroeira, porém não acontecerá conforme a tradição devido à pandemia, por isso a reportagem do Farol se mobilizou para resgatar memórias afetivas de serra-talhadenses que acompanharam os festejos diretamente durante toda sua trajetória de vida. Nesta terça-feira-(17), conversamos com Maria Auricléa Andrada Bezerra (Dona Maninha), 63 anos, empreendedora da Aury Tecidos, na Praça Sérgio Magalhães, devota de uma fé fervorosa.

Dona Maninha tem um envolvimento muito intenso com a Festa da Padroeira graças a sua mãe ”Dona Bé” que desde a filha muito pequena ensinou a valorizar a festa no todo, tanto a de rua quanto a religiosa. Viviam muito envolvidas, não podia perder uma noite no novenário e a filha ficou muito feliz quando substituiu a mãe no trabalho da noite do comércio, quando ela não tinha mais disposição para trabalhar na festa religiosa. Há poucos anos, Dona Maninha ficou um pouco afastada, porém, continua envolvida nos festejos de forma indireta.

Durante o novenário, cada noite é dedicada a um grupo: família, comércio, motoristas, saúde, etc. Nessas noites, cada grupo de noiteiro se encarrega de divulgar a festa e faz sua parte de colaboração financeira para que a paróquia continuasse se mantendo, cada grupo se esforça para arrecadar dinheiro conforme relembra Dona Maninha:

”A gente tinha no grupo de comerciantes Senhor Lorena, Senhor Gilberto Godoy, Senhor Modesto, minha mãe, Senhor Augusto Duarte e outros comerciantes antigos que andavam o comércio inteiro da cidade arrecadando dinheiro ou objetos para fazer leilão na barraca. Todos tinha uma participação muito grande, quando começaram a se cansar, cada um substitui pelos filhos, eu substituo minha mãe, Mônica Lorena Senhor Lorena, o Pe. Custódio substituiu Senhor Augusto Duarte e a ideia é essa ir passando para as gerações mais jovens.”

Veja também:   Flores, no Sertão, mantém tradição do carro de boi

Ainda durante entrevista com o Farol, Dona Maninha pontuou as melhores lembranças e suas maiores saudades do período mais festivo da Capital do Xaxado. Entre essas memórias estão os encontros com os amigos no patamar da igreja, pós novenário e na festa de rua e falta da tranquilidade durante as festas. Antes de citar suas saudades ela revelou que a pesar da injeção de fé que recebem durante a festa religiosa, principalmente na procissão, segundo ela não há quem não se emocione e renove a fé, não sente muita falta porque vive sua fé diariamente.

”Da igreja eu tenho as melhores lembranças, os melhores exemplos, a maior injeção de fé que a gente recebia quando terminava a festa da parte religiosa e a gente se sente muito agradecida e preparada para enfrentar todos os problemas do resto do ano. Todo serra-talhadense que se preza valoriza muito o novenário, participa da festa de rua tão bem quanto a força que o novenário dá. A procissão do dia 8 até hoje emociona qualquer pessoa porque é uma fé muito forte, mas da parte religiosa não sinto falta porque vivo ela perfeitamente”, disse continuando:

”Eu tenho muita saudade dos encontros daqui na praça, eram encontros festivos com muitos abraços,  muitas conversas, eram uma coisa muito bonita. Mas, minha saudade maior é dos encontros no patamar da igreja. Quando terminava o novenário, a gente procurava ver quem tinha vindo, quem tinha mando alguém e era muito bonito esses encontros, depois a gente descer para a festa de rua. Também sinto falta da tranquilidade, não tinha preocupação com drogas, roubo, violência porque não tinha essas coisas. Vinha visitante, mas pessoas conhecidas e tínhamos muito orgulho, era muito bom,” recordou Dona Maninha saudosa.

Veja também:   Casos de Covid 'pipocam' na região, mas em ST é mistério