
Fotos: Licca Lima/Farol
Acompanhando o movimento da política local, o agora pré-candidato a deputado federal, Miguel Duque (Podemos), arriscou analisar a postura da prefeita Márcia Conrado com base nos últimos acontecimentos.
Para isso o ex-presidente do IPA (Instituto Agronômico de Pernambuco) recorreu ao que considerou um histórico “sem palavras” da gestora, citando a postura da petista com seu pai, Luciano Duque, com Sebastião Oliveira, com o ex-secretário Márcio Oliveira e também com a governadora Raquel Lyra. A declaração foi nesta terça-feira (14) durante o Programa Falando Francamente com Giovanni Sá na Tv Farol no Youtube.
“Do dia para a noite o governo de Márcia Conrado e a própria Márcia Conrado elogiavam Raquel, falavam bem do governo de Raquel, diziam que era um ótimo governo, que estava trabalhando por Serra Talhada. E você sabe disso, é notório e público. Quem quiser questionar, que traga provas. Mas quem quiser buscar na internet, ou nas memórias do Farol, vai encontrar que os governistas e a prefeita falavam isso à época. Então, do dia para a noite, a gente vê uma mudança de posicionamento e um certo silêncio”, disse Miguel.
“E eu acredito, sim, que há uma incoerência. Porque você não pode dizer que algo é bom, que está no caminho certo, que é um bom governo, que está fazendo bem para Serra Talhada, e, do dia para a noite, deixar de ser do seu interesse pessoal ou político. Então, agora Raquel passa a ser uma governante ruim, uma governante incompetente. Então, essa é a… não sei se encontro a palavra… Talvez, a volatilidade. Não sei o que posso usar para ser mais objetivo.”
BASE MORAL E PALAVRA
Segundo Miguel essa “volatilidade” de Márcia com suas próprias decisões políticas mostram que a prefeita não teria base moral, o que mostra uma falta de convicção, segundo Miguel. “Essa mudança repentina não tem base moral, entendeu? Essa mudança repentina de posição não tem base moral. A gente precisa ter posicionamento, precisa ser coerente com aquilo que faz.”
“Porque, se você rememorar todos os meus posicionamentos aqui, eu tenho uma linha e costumo ser muito firme. É porque eu aprendi com meus avós, seu Didácio Ferraz, já falecido, que nós, sertanejos, filhos do sertão, filhos de Serra Talhada, aprendemos que o sertanejo, antes de tudo, tem palavra. Que a gente só vale a palavra que tem. Acho que você deve ter ouvido isso do seu pai, Giovanni.”
“UM HISTÓRICO NÃO É UM CASO ISOLADO”
Miguel fez questão de elencar as atitudes de Márcia nos últimos tempos. “Por exemplo, Márcia é eleita pelo meu pai, e depois abandona meu pai. Aí se especula: foi meu pai que traiu ou foi Márcia que traiu? Fica essa dúvida. Aí, qual era a posição de Márcia? Ela vota no PSB, depois abandona o PSB e vai para Raquel. Fica com Raquel. Aí, do dia para a noite, Raquel já não faz mais sentido, e ela vai para João Campos.”
“Depois, do dia para a noite, havia feito um acordo com Sebastião, que era o candidato a deputado estadual dela, que a apoiou na candidatura. E, de repente, Sebastião já não faz mais sentido, e ela lança o próprio marido. Você vê que há um histórico, não é um caso isolado”, afirmou Miguel, enfatizando:
“São vários casos. O próprio caso de Márcio Oliveira, que, diante de um acordo com ela, de apoiar Sebastião Oliveira, abandona o governo pelo não cumprimento desse acordo, assim como outros membros do Avante que têm saído. Mas o que a gente vê no modo de operar? Não vamos olhar para um caso específico, porque aí fica mais difícil fazer o debate. Vamos olhar o conjunto? Vamos olhar historicamente? O que eu vejo, na verdade, é falta de posicionamento, de firmeza e de palavra.”
“QUANDO SE EMPENHA A PALAVRA…”
“Quando a gente empenha a palavra, precisa cumprir”, defendeu Miguel Duque. Para ele, a prefeita não vem cumprindo o mínimo do que se propõe a política, que seria confiança após a palavra empenhada. “É o mínimo. E eu não queria aqui atacar ninguém. Você sabe que esse não é o meu perfil. Mas ela [Márcia] não cumpriu a palavra nem com Sebastião, nem com a governadora, nem com o meu pai.”
“Já é o terceiro caso. Talvez haja mais, e eu tenha esquecido. A gente vê que esse é o modo de operar [normalizando traição] “Ah, mas isso é da política.” Não é isso que vai julgar, quem julga são as pessoas. Eu acho que, independentemente de ser político, o povo está cansado disso. A gente precisa ter coerência, precisa ter lado. Precisa sustentar o que diz”, disparou Miguel.
“NÃO TEM COMO JUSTIFICAR”
“Não adianta dizer uma coisa hoje e outra amanhã. É por isso que, quando os políticos se sujam, acabam sujando os outros também. Exatamente. Imagine: eu chego aqui e digo que o governo de Raquel é bom, que tem trabalhado, que cuida de Pernambuco, que está fazendo muito. Aí, do dia para a noite, eu acordo e digo: ‘Não, agora, para mim, pessoalmente, Raquel não é mais interessante’. Então, no dia seguinte, passo a dizer que o governo é ruim.”
“Isso não tem como justificar. Então, na minha trajetória política, eu procuro ter palavra. Mas quem julga isso é o povo. Como eu disse, isso vem da nossa raiz, do nosso chão: o sertanejo é, antes de qualquer coisa, alguém que respeita a palavra dada. Continuarei assim. Aos que não seguem por esse caminho, respeito. Que sigam sua trajetória. Cabe ao povo julgar e ao futuro mostrar o caminho”, afirmou Miguel, com convicção.
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13 comentários em Miguel analisa Márcia citando relação política com Duque, Sebá e Raquel