
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), através do promotor de Justiça, Carlênio Brandão, abriu procedimento administrativo no Diário Oficial desta quinta-feira (4), para apurar possíveis falhas no curso de Medicina de Serra Talhada, que funciona na Autarquia Educacional (AESET), órgão ligado a Prefeitura de Serra Talhada.
Os fatos de Serra Talhada e região no Instagram do Farol de Notícias (siga-nos)
No documento que o Farol teve acesso, o promotor diz que uma denúncia chegou até o MPPE apontando a inatividade e ausência de regulamentação do Núcleo de Pesquisa e Extensão (NUPEP/NUPPEC), considerado eixo prioritário para a formação acadêmica, e que a ausência de referido departamento compromete as atividades de ensino, pesquisa e extensão, além da curricularização da extensão exigida em lei. Ou seja, a falta deste núcleo, coloca em dúvida a qualidade do curso em Serra Talhada.
No procedimento, o MPPE afirma que a direção da AESET acaba confirmando a falha.
“O teor do Ofício nº 170/2025 da AESET, no qual a própria instituição confessa estar “reestruturando” os núcleos pelo prazo de até 4 (quatro) meses, bem como admite que as alterações matriciais e a conformidade dos demais documentos basilares exigidos pelo CEEPE serão protocolados apenas na abertura do processo de reconhecimento em 2027″, diz um dos trechos do documento.
Receba as manchetes do Farol primeiro no canal do WhatsApp (faça parte)
AINDA MAIS GRAVE
A “confissão institucional” contida no Ofício nº 170/2025- AESET representa indício grave de descumprimento com indicativo de prejuízo: i) à formação acadêmica e o acesso dos alunos a atividades de iniciação científica; (ii) a plena execução do Projeto Pedagógico do Curso aprovado; (iii) coloca em risco o reconhecimento do curso junto ao CEE/PE em 2027, com potencial comprometimento da validade dos diplomas emitidos; e (iv) a situação de insegurança jurídica resultante é incompatível com o princípio da garantia do padrão de qualidade do ensino, previsto no art”, diz um outro trecho disponível no Diário Oficial.
O procedimento administrativo acaba abrindo um grande debate sobre a qualiade do Curso de Medicina em Serra Talhada, que vai envolver, inclusive, o Conselho Estadual de Educação (CEE).
MEDIDAS TOMADAS
“Como diligências iniciais para a instrução deste Procedimento Administrativo, DETERMINO:
“A expedição de Ofício ao Conselho Estadual de Educação de Pernambuco (CEE /PE), solicitando que o órgão regulador encaminhe a esta Promotoria de Justiça, no prazo de 30 (trinta) dias, cópia da notificação formal enviada à AESET, bem como informações atualizadas sobre a instauração do processo de supervisão regulatória mencionado no Despacho nº 3/2026 da CES/CEE-PE; III.
A expedição de Notificação formal à Presidência da Autarquia Educacional de Serra Talhada (AESET) e à Coordenação do Curso de Medicina, para que compareçam à audiência nesta Promotoria de Justiça, em data e horário a serem agendados pela Secretaria, visando discutir a viabilidade de celebração de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para adequação antecipada do referido núcleo, afastando a indevida postergação para o ano de 2027”, diz um dos trechos finais do documento.
19 comentários em MPPE aponta falhas no curso de Medicina de Serra Talhada e abre investigação