Mulher padre
Foto: Nicoolle Gomes/DP

Do Diario de PE

“Fui estuprada por um amigo”. É assim que Silvia Tavares, de 47 anos, descreve o caso denunciado por ela, que envolve o padre Airton Freire. Há quase quatro anos, o processo corre na Justiça. Nesta segunda (30), o líder religioso foi absolvido, e teve a prisão domiciliar revogada.

Um dia após a decisão judicial a favor do padre Airton, Silvia compartilhou o sentimento de receber a notícia da absolvição.

Continua depois da publicidade

“Me senti indignada, injustiçada. Desde 2022 eu luto. Não é e nem está sendo fácil chegar onde cheguei e denunciar um religioso, e não só um líder religioso, eu tinha ele como um amigo. Ele quebrou o que tenho de mais importante. Eu fui estuprada por um amigo. De ontem para hoje eu não dormi, estou revoltada e sei que eu não vou desistir, eu vou lutar não só por mim, como também pelas outras vítimas”, disse.

Segundo o advogado que representa Silvia, Rafael Nunes, o padre Airton se aproveitou da relação próxima com a mulher para cometer o crime.

Receba as manchetes do Farol primeiro no canal do WhatsApp (faça parte)

“Na nossa concepção, ele agiu com abuso de confiança. Ela idolatrava ele, tinha um respeito muito grande. Fé não se discute. Ele teve uma participação direta uma cura de um problema de saúde que ela tinha. Até que chamava ele de padrinho, de forma respeitosa. Existiu sim um abuso de confiança, ela estava vulnerável de saúde à época, e aconteceu o que ela narrou”, detalhou o jurista.

A defesa de Silvia informou, ainda, que irá recorrer da decisão. Segundo a equipe que a representa, há outros casos de estupro pelos quais o padre também responde.

“Quero dizer para as outras vítimas que não desanimem, não entendam essa sentença como um recado da impunidade, porque ela pode e será reformada. Iremos lutar até o final por justiça. A palavra de Silvia não é uma palavra isolada. Ela não ganhou nada com isso, só prejuízo psicológico, mental, exposição, agressão. Não existe ninguém querendo vingança. O que existe são os fatos e lutaremos para reverter essa sentença”, afirmou o advogado Rafael Nunes.

Continua depois da publicidade

Decisão

O juiz da Vara Única de Buíque (Agreste), Felipe Marinho dos Santos, apontou, na sentença, que algumas provas contradizem a versão relatada por Silvia, “tornando impossível a comprovação da acusação”.

Para a defesa de Silvia, as contradições são “pequenas”.

“O fato de ter contradições pequenas, uma aqui e outra ali, não compromete a integridade dos fatos, de forma alguma. O fato é que está provado que ela estava lá no horário que ela falou. Está provado que ela foi ouvida inúmeras vezes e contradições vão sempre existir em qualquer situação da vida, mas não são capazes de absolver o acusado. O magistrado entendeu que não tinha provas suficientes e que é ele deveria ser absolvido”, argumentou o advogado Rafael Nunes.

Os fatos de Serra Talhada e região no Instagram do Farol de Notícias (siga-nos)

Silvia afirmou, ainda, que o que mais a chateia é que o padre “mentiu do começo ao fim”.

“Ele disse que não estava na casinha, eu provei que estava sim. Ele disse que não tinha esperma, eu provei através do meu advogado que tinha. Ele falou também que não tinha foto minha, ele tirou foto minha tanto de frente como de costas. Então tem todas as provas possíveis imagináveis”, enfatizou.

Além do religioso, a Justiça absolveu o motorista Jailson Leonardo da Silva, que também foi acusado de participação no suposto crime. Ambos estavam presos desde 2023, ano em que as acusações foram tornadas públicas.