jogador acusa juiza mulher de desonestidade
Foto: Reprodução/TNT

Do R7

“Tenho que falar da arbitragem. Não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho.

“Ela não foi honesta, pelo que fez. Todo o mérito para o São Paulo, pela camisa, tradição, mas ela puxou para eles. Para ela, o São Paulo foi maior.”

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Gustavo Marques ‘roubou’ toda a atenção da valente vitória do São Paulo diante do Bragantino, por 2 a 1. Lutando muito, o time de Hernán Crespo ganhou, em plena Bragança e é semifinalista do Campeonato Paulista. O mesmo que esteve ameaçado de rebaixamento.

Ele atacou, sem piedade, a árbitra Daiane Muniz, que apitou o jogo, hoje.

Suas declarações logo ganharam repercussão nacional. E reverberaram no próprio estádio Nabi Abi Chedid. A direção do Bragantino soube o que seu jogador havia falado.

Gustavo Marques se encaixou perfeitamente no artigo 243 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, artigo G.

O artigo é claro.

“É passível de punição quem “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de etnia, raça, sexo, orientação sexual, cor, idade, condição de pessoa idosa ou com deficiência.”

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A punição vai de 30 a 180 dias.

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Diante dessa situação, logo depois que tomou banho, teve contato com a Comissão Técnica experiente, de Vagner Mancini. Evidente que a direção do clube soube que o zagueiro poderia ser suspenso pela grave acusação contra a árbitra Daine Muniz.

E, como em um passe de mágica, Gustavo Marques voltou atrás. Disse que foi ‘xingado pela esposa e pela mãe’.

Primeiro, foi ao vestiário da árbitra. E, de acordo com ele e com nota oficial do Bragantino, teve livre acesso à juíza e ‘pediu desculpas’.

Depois, ele pediu publicamente.

Falou, se justificou pelo machismo.

Mas não falou sobre o ataque à honestidade de Daiane. Aliás, errou o nome da árbitra.

“Estou aqui mais uma vez para pedir perdão para todas as mulheres do mundo, do Brasil. Eu falei coisas que não deveria naquele momento para a ‘Daniela’. Eu fui ali no vestiário dela pedir perdão, para a assistente dela também. Então, estou aqui mais uma vez para pedir perdão para todas as mulheres do mundo.

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“Quero que possam me perdoar pela minha fala.

“Estou mal, estou triste. A minha esposa já me xingou, a minha mãe já me xingou. Estou aqui para pedir perdão.

“Estou sendo homem. Todo ser humano erra. Estou aqui para pedir perdão para todas as mulheres e é isso.”

As desculpas não bastam. Ele pode ser acusado e julgado pelo que falou. Basta um promotor do STJD ouvir as palavras ditas pelo zagueiro, ao final do jogo.

Aliás, a árbitra não teve participação alguma no resultado da partida. O São Paulo se superou, marcou muito forte o Bragantino.

E aproveitou as chances que teve, com Bobadilha e Lucas. Com a contribuição dupla do goleiro Cleiton.

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Depois de abrir 2 a 0, o time mostrou intensidade na marcação. Tomou do polêmico Gustavo Marques na cobrança de escanteio, de cabeça, em falha do setor defensivo.

O Bragantino, tenso, e sem criatividade, mereceu perder a sua invencibilidade e a chance de chegar à semifinal do Paulista.

Crespo encontrou seu time ideal. E que jogou junto pela terceira vez.

O São Paulo surpreendeu e ficou com a vaga à semifinal.

“A equipe jogou com muita personalidade e muita coragem, teve chances claras, foi uma batalha, há sete anos que não vencíamos aqui, não é fácil vir aqui e conseguir uma classificação vencendo o jogo. O grupo merece demais”, comemorou Crespo.