Publicado às 05h55 deste sábado (23)

Por João Luckwu, PRF aposentado, advogado e poeta serra-talhadense

Neste domingo,  dia 17 de janeiro, numa manobra ardilosa de João Dória, foi iniciada a campanha de vacinação no Brasil. Aproveitando-se da inépcia do governo federal, deu a largada na frente, atropelando os planos midiáticos do presidente Bolsonaro. Na verdade, tal manobra só demonstrou a incapacidade do Ministério da Saúde, comandado pelo “General Logística”, na condução do processo com um programa de vacinação confuso e ineficaz.

Não se pode olvidar o descaso do governo federal com a pandemia. Desde o início o presidente Bolsonaro fez questão de contrariar todos o protocolos de segurança, convocando seus seguidores para manifestações e aglomerações em vias públicas. Sem falar nas declarações proferidas no “cercadinho”, que causavam um verdadeiro frisson em seus seguidores nas redes sociais. Declarou abertamente que não iria se vacinar. Mas tudo isso é pequeno diante da negação à ciência e a queda de braço com Dória e a “vacina chinesa”. Quem saiu perdendo, infelizmente, mais uma vez, foi o povo.

O governo federal só despertou interesse pela vacinação a partir dos avanços nas pesquisas do Instituto Butantan e a Sinovac. Diga-se de passagem, não pelo amor à ciência, mas tão somente pelo vantagem política que conquistara o seu rival Dória.

A bem da verdade,  tanto o presidente Jair Bolsonaro quanto o governador de São Paulo, João Doria, são culpados pela situação atual em que se encontra o programa de vacinação contra o coronavírus no Brasil, haja vista o interesse pela vida sucumbir ao interesse político. Todas as fichas são depositadas visando a eleição presidencial em 2022.

Nesse contexto,  a pandemia passou a ser como um tabuleiro de xadrez e a vacina o troféu do vencedor. Só que nesse jogo quem levou o xeque-mate foi a nação brasileira.

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Faltou um esforço conjunto da federação para solução dos problemas, mas diante da desídia do governo federal, coube ao Dória, visando um favorecimento político, tomar a iniciativa do jogo.

Seria utópico, esperar que um presidente sem qualificação e sem comprometimento com a vida, já que o mesmo declara que sua especialidade é matar, coordenasse um amplo programa de combate à pandemia.

Temos o Butantan e a Fiocruz com plena capacidade de produzir vacinas para nossa demanda e até mesmo para abastecer nossos vizinhos. Mas faltou empenho e zelo pela causa. Faltou investimentos em pesquisas e, principalmente, dignidade político-administrativa dos nossos governantes.

Mesmo com toda estrutura disponível pelo Instituto Butantan e pela Fiocruz, o Brasil  não deveria ter ficado restrito apenas às vacinas coronaVac/Sinovac e Oxford/AstraZeneca. Faltou ampliar o leque de opções através de acordos com nossos parceiros internacionais. Infelizmente, o diálogo nas relações exteriores não é o nosso forte.

A campanha de vacinação começou, mas ainda não temos a certeza de que terá vacina para todos. Talvez nem mesmo contemple todos os profissionais de saúde que estão na linha de frente nessa primeira etapa. Um verdadeiro absurdo. Corremos ainda o risco de não ter seringas suficientes. Estamos num barco à deriva. Não existe uma garantia  de que o programa de vacinação seja concluído ainda neste ano em curso. Lamentável. Só Deus na causa!