Giovanni FilhoGiovanni Filho é jornalista, mestrando em Comunicação e Culturas Midiáticas e editor do FAROL

O prefeito Luciano Duque avaliou o resultado das eleições 2014 como uma grande vitória pessoal. Na visão do petista, apesar da derrota de todos os deputados federais do seu partido no Estado, Dilma venceu. E vale a festa. Com grande vantagem, em Serra Talhada, a presidenta bateu o tucano Aécio Neves arrancando mais de 34 mil votos no município.

Aliados ufanistas juram que os 80% de aprovação de Dilma na capital do xaxado são reflexos do poder político de Luciano entre o eleitorado da cidade. Mas será que todos esses votos podem ser atribuídos ao super-Duque da Dilma, como pregam os exaltados?

No início de outubro, resultado de pesquisa do Instituto Múltipla, de Arcoverde, registrou dois cenários bastante realistas em relação à força do atual prefeito. O primeiro deles cravou que o gestor exerceu influência negativa sobre os candidatos que apoiou. No total, a grande maioria, 49% dos eleitores respondeu que não votaria em candidatos apoiados por Luciano Duque. Em outra estimativa, a avaliação negativa do prefeito bateu todos os índices positivos.

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Conforme os dados, 21% dos entrevistados tacharam como péssima a gestão do prefeito em 2014. Outros 15% disseram que o governo está ruim. Somados, o saldo negativo foi de 36%. Já a opção “bom” registrou 30%, regular, 28%, e apenas 3% disseram que o governo está ótimo até o momento.

No início de janeiro de 2014, outro instituto de pesquisa, o Opinião, de Campina Grande (PB), constatou que 55% da população acreditava que a cidade passara o ano de 2013 praticamente paralisada, isto é, sem avanço estrutural algum. Segundo o Instituto Opinião, 34% avaliaram o 2013 de Luciano Duque como regular, enquanto 17,3% consideram ruim e 18,2% como péssimo. Na outra ponta, 20,3% avaliaram como bom e apenas 7,6% como um ótimo ano em termos de gestão.

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Resumindo: em 2013 a avaliação negativa do prefeito também bateu os índices positivos. E tudo indica que esse quadro de malogro se aprofunde. Já não bastassem os números, Luciano admitiu, na semana passada em cadeia de rádio, que não possui uma obra sequer com recursos próprios no município nestes quase dois anos de gestão.

Por ora, o super-Duque da Dilma parece ainda estar nas nuvens voando sem arriscar pisar no chão. A criptonita do prefeito vem fustigando as barbas do herói sem que nem perceba: são os números aferidos entre os moradores da cidade. Já os 80% de aprovação da presidenta em Serra Talhada refletiram-se no desempenho dela em todo o Estado, indicando que a aceitação de Dilma partiu menos de apoios locais, e mais por mero desconhecimento das propostas de um alienígena político para a região chamado Aécio Neves.

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Resta agora rezar para que o super-Duque da Dilma desça dos céus e enfrente, sem ufanismos e golpes de sorte, a força assustadora da realidade.