opiniãoPor Jorge Apolônio, policial federal e membro da Academia Serratalhadense de Letras (ASL)

As palavras fazem sentido, têm significado. O silêncio também. Quando você diz algo, ou mesmo deixa de dizer, você comunica alguma coisa, é óbvio. Vejamos, então, o que podemos depreender da entrevista de Augusto César à rádio Líder do Vale nesta quarta, dia 29 de abril, a partir da seguinte frase: “Uma aliança deste tamanho (PT-PTB-PR) que você (Francys Maya) está projetando, ela não serve para ninguém. Ela não serve nem para Serra Talhada, porque fica muito difícil de administrar interesses políticos de cada grupo”. O que podemos deduzir dai?

Deduzimos que, para que haja uma aliança política, antes de tudo, é preciso atender os interesses do grupos políticos. Se isso for atendido, tudo bem. Os interesses do povo são só um detalhe. Atendê-los será consequência do atendimento aos interesses dos grupos. A expressão: “Ela não serve nem para Serra Talhada” quer dizer exatamente isso: “ela não serve nem para o POVO”.

Alguém dirá: “Ora, qual é a novidade? Política é assim mesmo”. É, mas não deveria, precisa deixar de ser. Dessa forma, o povo tem sido atendido sempre em última instância, quando é atendido. Isso demonstra um profundo atraso político e humanístico da nossa sociedade como um todo. Essa mentalidade de Augusto, que não é só dele, pois é generalizada, é a mentalidade de um tempo que já deveríamos ter superado.

Enquanto não superarmos esse estágio, sofreremos, por causa desse modelo, essas mazelas sociais que nos afligem cada vez mais na educação, segurança, saúde etc. Augusto bem que poderia ser o vetor dessa superação, dessa mudança, mas não é, não tem espírito público para isso. Os vícios políticos não lhe permitem. Percebe-se no que ele diz. Fazer o quê? Aguardar a próxima geração de mandatários.

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Como diria Belchior, Augusto é “muito jovem pra morrer e velho pro rock’n roll”.