A partir deste sábado (19), o FAROL inicia uma séria de reportagens sobre o interior do mais belo cartão postal de Serra Talhada: a serra, talhada pela natureza. A repórter Manu Silva e o fotógrafo Alejandro Garcia, passaram cerca de 4 horas conversando com famílias que enxergam a cidade de cima para baixo. Estão no alto, mas à margem do desenvolvimento. Quando se olha a serra de baixo para cima, não se imagina que tudo está por se fazer lá no pico. Boa leitura!

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No ponto mais alto de Serra Talhada, famílias estão relegadas ao abandono e isolamento. Sem água, sem transporte, sem saúde, sem educação, sem lazer e com estradas de difícil acesso, cerca de 15 famílias vivem no principal cartão postal da cidade, a serra, quase que isoladas. Nessa sexta-feira (18), O FAROL DE NOTÍCIAS foi até a comunidade Alto da Serra, conhecer e ouvir as histórias de homens e mulheres que vivem esquecidos pelo tempo em uma região que corre o risco de desaparecer totalmente do mapa. Retirantes da sorte, os poucos jovens das famílias da região buscam no centro urbano da Capital do Xaxado ou em outras cidades melhores condições se subsistência, restando apenas idosos e adultos cansados da lavoura e tomados pelo medo do povoado morrer junto com os últimos moradores.

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DSC_0292Pegando a estrada logo se avista um pacato povoado incrustado no meio dos talhos, sobrevivendo apenas da agricultura familiar precarizada pela seca e o difícil acesso a serviços básicos para a sobrevivência humana. “Aqui tem que melhorar muita coisa, mas a coisa não melhora. Se for depender de prefeito, vereador, esse povo assim nunca vem. Tem que vir primeiramente água, tá com um ano e tanto que não vem mais nada, água só vem se o cabra estiver com dinheiro para pagar R$ 150 de um pipa d’água, se não tiver morre de sede”, explicou um dos senhores mais velhos da região, Manoel Brás de Magalhães, 84 anos, morador da comunidade há cerca de 60 anos.

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DSC_0343Outra reclamação bastante pontual é a falta de transporte para a localidade, por causa disso as famílias têm de deixar suas casas, vindo morar no centro urbano para colocar os filhos na escola ou percorrendo o trajeto de 10km a pé, fretando mototáxis por R$ 15 ou táxis por R$ 50. “Quando eu preciso ir na rua, no médico, eu tenho que ligar para um mototáxi, pago R$ 30 ida e volta até a avenida, de lá a gente vai a pé procurar um posto ou hospital. Aqui precisa de tanta coisa, professor se tivesse ano que vem, não tinha que procurar todos os meios de levar a menina para estudar na rua. A água tá com três mês que eu consegui com uma colega um pipa d’água e como eu faço aqui dá pra durar 3 ou quatro meses”, disse Edilene Laurentino de Souza, 41 anos, que mora na região há 7 anos.

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DSC_0451A falta de assistência básica de saúde também é um dos problemas sérios que assolam a comunidade. A centenária Maria de Lourdes, de 103 anos, está há cerca de três anos acamada em sua casinha de taipa depois de um acidente que lhe fraturou a bacia. Sem poder se locomover, a idosa não tem uma assistência médica adequada. Com dificuldade, Dona Lourdes expressou em poucas palavras e pelo fio de consciência que lhe resta, a tristeza de não poder mais andar.  “Faz tempo que eu vivo nessa casa, eu morava na rua, sou de Afogados da Ingazeira, mas hoje a pessoa que não anda e meu marido morreu”. Dona Maria de Lourdes mora na comunidade há cerca de 43 anos e criou cinco filhos no alto da Serra, mas hoje padece na companhia de poucos familiares.

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