Publicado às 13h25 desta segunda-feira (30)

Fotos:  Celso García/Farol 

O episódio 11 da série “Serra Talhada, meu canto e o meu encanto”, desvenda os mistérios que envolvem a lendária Pedra do Sino, que fica localizada a 6 km do centro, as margens da PE – 365 – rodovia que liga Serra Talhada a Triunfo.

O local durante anos foi uma importante atração turística da cidade chamando a atenção dos moradores e de quem visitava o município. Inicialmente destacamos aqui trechos dos Histórias Perdidas (Paulo César Gomes/Alejandro J. García), publicado em 2018, e do livro do jornalista Mario Melo.

No livro sobre o centenário de Serra Talhada da emancipação política (1851-1951), Mário Melo, que também teve atuação no estado de Pernambuco, descreve desta forma a pedra:

“Constitue interessante curiosidade: um bloco de rocha, com aparência de grande sapatão, superposta a outra, com o ponto de apoio apenas no meio. Batendo-se em qualquer parte do bloco, nota-se vibração e ouve-se o som dum ‘sol’ grave, semelhante ao de um sino.” Segundo Mário Melo, a população achava que o bloco era “metálico”. No entanto, o próprio jornalista encarregou-se de levar uma amostra do pedra para o Recife, onde alguns estudiosos do assunto, identificaram que se tratava de material a base diorito, uma espécie de rocha vulcânica.

Outra fato levando por Melo é a possibilidade das pedras terem sido colocadas naquela posição através da intervenção humana, precisamente, de homens pré-históricos que habitaram a região há milhares de anos, que fizeram o trabalho com o objetivo de usar o som da pedra para se comunicar com outras tribos. Porém, o próprio autor acaba refutando a idéia, pois, segundo ele, seria impossível os homens primitivos locomoverem uma pedra de mais de uma tonelada.

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Mário Melo ainda cita no seu trabalho de pesquisa o poema em prosa de autoria do padre Jeferson Dinis, escrita em Teresópolis, no estado Rio de Janeiro, em janeiro de 1942, no qual o vigário descreve a importância da rocha para toda a sua geração.

“Já disse que o sino das igrejas é como o coração da gente. Mas o meu coração é como aquele sino da catedral da minha infância. É um sino de pedra que demora a nordeste da cidade de Vila-Bela, em Pernambuco, cujos sons eternos, em sonoridades bárbaras, acordam lembranças que não devem dormir o sono do esquecimento. Porisso, eu tenho dependurado na torre solitária da saudade para que êle cante, chore ou festeje os dias de minhas primaveras em terras do Pajeú. É êle quem as vezes, reúne no parque da memória os velhos companheiros de escola, os meninos alegres daquele tempo: Metódio, Quincas Godoy, Zé Pedro, Diocleciano, Lero Ribeiro e outros muitos, cujas as mãos infantis mil marteladas vibraram nêsse querido sino de pedra, Deus colocou ao alcance dos nossos desejos.”

Mas, apesar de todo o que se falava sobre a Pedra Sino, nada foi feito para que o local fosse preservado. Durante anos a Pedra do Sino foi usada como espaço para bebedeiras, práticas sexuais e uso de drogas. O resultado desse descaso é que a depredação e o vandalismo fizeram com a pedra deixasse de emitir o som do sino. A rocha foi mutilada ao longo dos anos e o que restou dela representa menos da metade do tamanho original. Ainda assim, é possível ouvir um suave som de metal emitido pela rocha.

REMOÇÃO DAS PEDRAS DURANTE OBRA

Uma importante informação sobre o que teria provocado a emissão de sons da pedra foi revelada a reportagem, através de depoimento do empresário e historiador serra-talhadense Nivan da Sorveteria Esquimó.

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“Minha avó contava que durante a construção da rodovia a empresa tirou as pedras do lugar e a população ficou revoltada. Depois de muita cobrança a empresa trouxe uma maquina que recolocou as pedras no lugar, mas elas não ficaram no encaixe original e depois disso não saiu mais o som”, revelou Nivan.

Realizado com um formato diferente, inovador e com uma linguagem visual voltada para o universo dos apaixonados pelas redes sociais, a série “Serra Talhada, meu canto e o meu encanto”, é um marco na forma de se contar a história da velha Villa Bella. A séire é hoje um grande sucesso, com números cada vez crescentes de visualizações.

As fotos são do fotógrafo e artista plástico Celso Garcia, e a produção recebe a assinatura de Allan Costa, Silvio Ricardo, Augusto Lux e Giovanni Sá Filho. Chegue! Chegue! Chegue mais! Assista ao vídeo, deixe o seu ‘like’, clique no ‘sininho’, comente e compartilhe com todos os seus amigos

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