Publicado às 20h desta segunda (27)

O novo episódio da série Serra Talhada, meu canto e o meu encanto destaca as belezas e as histórias do Açude do Saco. O açude é um dos elementos importantes da história de Serra Talhada. O livro “Agamenon Magalhães e O Ciclo do Algodão Mocó em Serra Talhada” (2021,p.36), aponta como o processo de desenvolvimento econômico está diretamente ligado ao uso das águas do reservatório.

Nesse sentido, o livro cita a presença de um engenheiro francês em Serra Talhada, durante a segunda metade do século. Na ocasião o francês fez importantes observações sobre o açude e que depois foram implantadas pelo governo do estado durante os anos de 1930.

A Fazenda Saco foi adquirida em 5 de dezembro de 1931, pela quantia de cinquenta e cinco contos e seiscentos mil réis (R$ 6.838.800), o governo de Pernambuco logo empreendeu a construção do barramento do riacho do medeia com recursos do INFOCS – Inspetoria de Fomento e Obras Contra as Secas, que contratou a construtora Collier que realizou a obra entre 1932 a 1933.

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A grande parede foi construída entre 1932 a 1933 e a pequena que não sabemos a data, mas achamos que tenha sido construída pelos antigos proprietários da fazenda, Coronel Brás Magalhães e Major Baião, ou mesmo o Coronel Cornélio Soares de Lima, no início do século vinte, o qual fez a venda do citado imóvel ao governo de Pernambuco. Após a sua construção, o Açude Saco I só veio a extravasar no ano de 1964 e posteriormente em 1974 e 2005.

“Foi quando da visita do engenheiro francês Louis Émile Dombre, que foi contratado pelo Presidente da Província, o Barão de Lucena, para pesquisar e apresentar projetos em relação ao armazenamento e aproveitamento de água, bem como avaliar e sugerir a construção de cadeias em diversos municípios do interior do estado, que o Açude passou a ter sua importância destacada. Dombre viajou por cidades do Agreste e do Sertão do estado, entre os anos de 1874 e 1875. O engenheiro Dombre visitou Serra Talhada, que na época era chamada oficialmente por Villa Bella, em setembro de 1875. Em suas anotações, posteriormente publicadas em um livro após a sua morte, o engenheiro fez as seguintes observações sobre o Açude do Saco:

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“O açude é feito de barro, e arrombou-se no meio, d’uma largura de 30 metros. Os reparos do dito açude hão de custar não menos de 5 (cinco contos). Porém nunca ficará a barragem segura. O comprimento de dita barragem é de 250 metros, a altura no meio é de quase 5 metros; além da quantidade d’agua, as formigas, segundo minhas verificações, teem feito estragos  immensos em todo o comprimento do paredão. Devo dizer que a grande quantidade d’agua espalhada é ruim para a salubridade da povoação, apesar de o açude ser bastante distante da vila” (DOMBRE, 1893, p. 85). 

 Apesar das ponderações feitas, o engenheiro deixa claro nas suas anotações, em francês, a importância da construção de um açude de grande porte para o abastecimento de água para a cidade. Após viajar pelo interior do estado o francês veio a falecer.

QUEM FOI

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Louis Émile Dombre (1851-1876) era um engenheiro francês que foi comissionado pelo governo provincial de Pernambuco para fazer uma verificação das obras públicas mais importantes que deveriam ser realizadas no interior da província. Partiu do Recife, via Jaboatão, em direção à Vitória, Bezerros, Caruaru, Garanhuns, Villa Bella, Flores e Triunfo, percorrendo praticamente todo o interior de Pernambuco.

Mandava relatórios periódicos sobre as obras que considerava necessárias, para o diretor de obras da província, assim como informações geológicas, climáticas e geográficas sobre a região. Recomendou, de maneira geral, a construção de açudes e prisões, em várias localidades. Dombre ficou doente durante a viagem e morreu na capital, Recife, em 11 de abril de 1876. Após a morte de Dombre, as suas anotações foram publicadas em um livro mantendo a originalidade dos textos, apenas o final do livro foi publicado na língua portuguesa da época.

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Abaixo, trecho em que cita a visita a Vila Bela: