
Foto: Licca Lima/Farol
O pré-candidato a senador pela federação Rede-Psol, o professor da UFPE, Paulo Rubem Santigo, explicou os efeitos da privatização de parte dos serviços da Compesa em Pernambuco, autorizada pela gestão Raquel Lyra. Em conversa com o Programa do Farol no Youtube no último sábado (25), Rubem detalhou que a BRK, empresa do Canadá, irá realizar os trabalhos agora de distribuição da água. E alerta que a conta vai aumentar para os pernambucanos.
A assinatura do contrato de concessão dos serviços aconteceu em abril de 2026. E o processo, neste momento, ocorre em fase de operação assistida e transição conjunta com a Compesa. A estimativa dessa trasição, com a entrega completa dos serviços de distribuição de água em Pernambuco nas mãos da BRK, é de seis meses.
Os fatos de Serra Talhada e região no Instagram do Farol (siga-nos)
“Mas eles não chamam de privatização, eles chamam de PPP, Parceria Público-Privada, ou Concessão de Serviços Públicos”, alertou Paulo Rubem. “Eu estava na Câmara Federal quando nós aprovamos a Lei Nacional de Saneamento, 11.445, de 2006/2007. E o que dizia a Lei Nacional de Saneamento? O titular, o responsável por captar água, tratar, entregar na sua casa e tirar o esgoto, o responsável é o município. Como os municípios ficavam muito isolados, uns pequenos, outros maiores, criou-se o sistema das Compesas no Brasil inteiro. E de lá para cá, a pressão privatista fez com que algumas empresas entregassem para a iniciativa privada”.
O CASO DE PERNAMBUCO
Quanto ao caso de Pernambuco, diz Rubem em sua arguemntação, acaba-se “de se fazer um processo em que 3/4 do Estado de Pernambuco vai para a mão da distribuição da água e da coleta de saneamento de um consórcio, onde a principal empresa é uma empresa canadense. Veja, não é uma empresa de engenharia sanitária, é um fundo financeiro que veio do Canadá para operar no Brasil.”
O LUCRO VAI EMBORA PARA O CANADÁ
“Então, primeiro de tudo, quando tiver lucro, vai embora para o Canadá, não vai ficar em Serra Talhada, nem no Sertão, nem em Pernambuco. Segundo, saneamento: você pega a água bruta, trata, põe na tubulação, estação de bombeamento, leva para sua casa, para o comércio, para a indústria, para o sítio. Depois você tem que coletar o esgoto. Todo lugar onde entra água, sai esgoto. Isso aí foi dividido.
Receba as manchetes do Farol em primeira mão WhatsApp (clique aqui)
O FILÉ É A DISTRIBUIÇÃO
“A Compesa vai continuar captando a água, tratando, mas vai entregar o filé, que é a distribuição, para esse grupo estrangeiro, que 30% é do fundo de investimento do Fundo de Garantia BRK, que é um fundo financeiro do Canadá. O que acontece? Hoje você, quando recebe a água, você paga uma conta de água para quem? Para a Compesa, quando recebe. E às vezes não recebe e chega a conta de água, como aconteceu semana passada em vários bairros de Jaboatão, na Região Metropolitana. Então a conta chega, a conta chega, de olho fechado, mas ela chega.”
VOCÊ IRÁ PAGAR DUAS CONTAS EM UMA SÓ
“E aí o que acontece? Agora você vai pagar duas contas. Por quê? Porque você vai ter que pagar as operações da Compesa na captação da água e no tratamento, e a Compesa vai querer uma remuneração por isso. E você vai ter que pagar a distribuição e a coleta do saneamento para a BRK. Então você vai pagar duas contas numa conta só.”
ASSISTA AO TRECHO ABAIXO DA ENTREVISTA
7 comentários em Rubem fala do efeito da privatização da Compesa para os serra-talhadenses