Do Diario de Pernambuco

Foto: Kerem YUCEL / AFP

A policial que atirou e matou um jovem negro perto de Minneapolis foi presa nesta quarta-feira (14) sob a acusação de homicídio culposo, em um contexto de protestos nesta cidade do meio-oeste dos Estados Unidos e do julgamento do ex-agente que matou o cidadão negro George Floyd no ano passado.

“Os policiais prenderam Kim Potter aproximadamente às 11h30” locais, informou o Departamento de Apreensão Criminal de Minnesota em um comunicado, acrescentando que as acusações de homicídio culposo seriam apresentadas em seguida. Se for considerada culpada, ela pode ser condenada a até 10 anos de prisão.

A agente Potter, de 48 anos, renunciou após o incidente sobre o qual ela alega ter confundido sua taser (pistola de choque) com sua arma de serviço quando atirou em Daunte Wright, de 20 anos, em uma blitz de trânsito no domingo.

“Embora apreciemos o fato de o promotor estar buscando justiça para Daunte, nenhuma condenação pode devolver à família Wright seu ente querido”, disse o advogado da família, Ben Crump, após a prisão.

“Não foi um acidente. Foi um uso intencional, deliberado e ilegal da força”, acrescentou. “Continuaremos a lutar para que Daunte, sua família e todas as pessoas não-brancas marginalizadas obtenham justiça. E não vamos parar até que haja uma reforma policial e judicial significativa”, declarou o advogado.

Protestos e distúrbios

A morte de Wright gerou novos protestos em Minneapolis, Minnesota, onde a tensão racial aumenta.

Os manifestantes entraram em confronto com as forças policiais pela terceira noite na terça-feira(13) e mais de 60 pessoas foram presas, disseram autoridades policiais.

A polícia de choque se mobilizou para dispersar os quase 1.000 manifestantes reunidos no Brooklyn Center, o subúrbio onde ocorreu o incidente que matou Wright.

Os policiais utilizaram armas paralisantes enquanto os manifestantes atiravam objetos como garrafas de água e tijolos.

Uma arma por uma taser?

Na terça-feira, as famílias Wright e Floyd se reuniram para exigir o fim da brutalidade policial e do assassinato de afro-americanos desarmados por policiais brancos.

“O mundo assiste traumatizado ao assassinato de outro afro-americano”, disse Philonise Floyd, irmão de George, que testemunhou na segunda-feira no julgamento de Derek Chauvin.

Os Floyd e os Wrights rejeitam a explicação de que a morte de Daunte foi um trágico acidente resultante da confusão da policial quando ela pegou a arma de fogo em vez da pistola taser (de choque, nota do editor), e vários de seus membros e ativistas haviam pedido para que a oficial fosse presa.

“Chamam isso de erro? Uma arma por uma taser? É inaceitável”, afirmou o sobrinho de Floyd, Brandon Williams. “Só porque você representa a lei não significa que está acima da lei”, acrescentou.

“Não consigo respirar”

Os promotores concluíram sua apresentação no julgamento de Chauvin, dando voz à defesa.

O advogado de Eric Nelson alegou que Floyd morreu por uso de fentanil e metanfetamina, além de problemas de saúde subjacentes.

O defensor pede sua absolvição, alegando que os promotores não conseguiram provar sua tese contra Chauvin, um homem branco de 45 anos, deixando dúvidas sobre o caso.

Um vídeo de transeuntes mostra Chauvin ajoelhado no pescoço de Floyd por nove minutos, enquanto o negro de 46 anos, algemado no chão, diz repetidamente “Não consigo respirar”.

Imagens da prisão de Floyd – por supostamente usar uma nota falsa de 20 dólares – e de sua morte em 25 de maio de 2020 geraram protestos nos EUA e em todo o mundo contra a injustiça racial e a brutalidade policial.

No caso da morte de Wright, imagens da câmera utilizada no uniforme dos policiais mostram agentes tirando Wright de seu carro depois de detê-lo por uma infração de trânsito e descobrir que ele tinha um mandado pendente.

Quando os agentes tentam algemar Wright, ele luta e retorna para o carro. Uma policial grita: “Taser! Taser! Taser!” mas então um tiro é ouvido.