Do JC Online

O São João de Gravatá levantou protestos na cidade do Agreste ao anunciar uma área privada chamada de “Front Exclusive”, com bares e banheiro exclusivos, além de “visão privilegiada, conforto e segurança total” (como consta na divulgação da área nas redes sociais).

A programação do São João de Gravatá começará nesta sexta-feira, dia 17, seguindo no sábado (18) e pelos dias 23, 24 e 25, sempre a partir das 19h. Os shows ocorrem no Pátio de Eventos Chucre Mussa Zarzar, com nomes como João Gomes, Santanna O Cantador, Tarcísio do Acordeon, Fulô de Mandacaru, Mari Fernandes, Mano Walter, entre outros. Clique aqui e veja a programação completa.

O frontstage tem ingressos vendidos por dia, com valores de R$ 80, R$ 50 + 1kg de alimento (meia social) e R$ 40 (meia). Também existe um camarote com mesas para quatro pessoas por R$ 400, o dia. As vendas ocorrem no site da Bilheteria Digital.

A existência de lounges e camarotes privados em festas públicas em cidades do interior é comum, sobretudo por conta de parcerias público-privadas. Os festejos juninos de Caruaru, Petrolina e Santa Cruz do Capibaribe, por exemplo, também possuem camarotes, geralmente localizados nas laterais do palco – além de Limoeiro, que cancelou sua festa em 2022.

Os gravataenses questionam o fato desse “front” ocupar boas partes da rua e da frente do palco. A publicação no Instagram do São João de Gravatá sobre o “Front Exclusive” causou reações de protestos.

Frontstage causa polêmica entre habitantes

“Conseguiram deixar as pessoas indignadas, para que essa ambição por tanto dinheiro? […] Vai separar as pessoas por classe financeira, já bastava os camarotes pô (sic). Vai causar a raiva do povo em meio a um tempo que era pra ser de festa e alegria”, escreveu um internauta.

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“Palhaçada, se paga impostos e ainda quer ingresso? Tá feio isso”, comentou outra. “Meus Deus! Tá ridículo isso. Depois de dois anos sem ter festa, o povo vai ter que pagar pra ir em festa de rua”, publicou outra internauta.

“Gente, parem de valorizar tanto os turistas. Vocês foram eleitos com o nosso voto, o povo de Gravatá merece mais respeito viu”, lê-se em mais um comentário.

Por outro lado, alguns gravataenses ressaltam que esse “espaço privilegiado” já existia em gestões municipais anteriores, mas que a divulgação/vendagem de ingressos nunca foi feita de forma tão pública ou profissional.

Prefeitura de Gravatá se pronuncia

Procurada pela reportagem, a Comunicação da Prefeitura de Gravatá enviou nota em que diz que “a venda de camarotes, mesas e o espaço reservado em frente ao palco ‘front stage’ é uma prática realizada em cidades vizinhas, e no município de Gravatá não será a primeira vez”. Continua: “Informamos que esse espaço destinado, como praticado em anos anteriores, ocupa uma área menor que 10% do espaço. […] A comercialização desses setores pagos é de responsabilidade da empresa, que por meio de parceria público-privada, tem a permissão para comercializar produtos e vendas de ingressos”.

A festa, diz a nota, é realizada pelo governo municipal, com apoio do Governo do Estado e de empresas parceiras.

A Comunicação da Prefeitura de Gravatá também disse que os camarotes são montados em uma área da ferrovia, sendo um espaço intransitável, enquanto o frontstage ocupa parte da calçada da avenida. Na intenção de reforçar a área livre ao público, foi enviada a seguinte foto do Pátio de Eventos Chucre Mussa Zarzar:

Leia o comunicado na íntegra:

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“A Prefeitura de Gravatá informa que o tradicional São João da cidade é uma festa democrática, realizada pelo governo municipal, com apoio do Governo do Estado e de empresas parceiras para todos que quiserem curtir o ‘Arraiá da Felicidade’. Os shows que ocorrem no período de 17 a 25 de junho, no Pátio de Eventos Chucre Mussa Zarzar são gratuitos, com área para todos os públicos. A venda de camarotes, mesas e o espaço reservado em frente ao palco ‘frontstage’, é uma prática realizada em cidades vizinhas, e no município de Gravatá não será a primeira vez. Informamos que esse espaço destinado ficará restrito a área dos camarotes, como praticado em anos anteriores, ocupando uma área menor que 10% do espaço. Com isso, todo o público poderá curtir a festa em segurança e chegar em frente ao palco, para ver os artistas de perto, independente de onde estiver. A comercialização desses setores pagos é de responsabilidade da empresa, que por meio de parceria público-privada, tem a permissão para comercializar produtos e vendas de ingressos.”