Da CNN Brasil

O presidente interino do Peru, Manuel Merino, renunciou ao cargo neste domingo (15), após uma série de protestos violentos desde a destituição do ex-presidente Martín Vizcarra, no último dia 9.

“Neste momento em que o país atravessa uma das maiores crises políticas, quero informar a todo o país que apresento minha renúncia irrevogável à Presidência e invoco a paz e a união de todos os peruanos”, disse Merino em mensagem transmitida pela televisão.

Ainda não é claro quem assumirá o comando do país. O Congresso anunciou que se reunirá para defnir uma “saída constitucional” com um sucessor de consenso entre os partidos no parlamento.

Dois manifestantes morreram e dezenas ficaram feridos durante um ato na capital Lima neste sábado (14). Ao menos 11 dos 18 ministros do novo governo renunciaram.

Antes de ascender à presidência na última terça-feira (10), Merino era líder do Congresso peruano. Seu substituto, o legislador de centro-direita Luis Valdéz, cobrou a renúncia de Merino e disse que, caso não deixasse o cargo, iniciaria um processo de impeachment.

A assembleia nacional peruana também publicou uma nota pedindo a renúncia, dizendo que ele é “politicamente responsável pelos atos de violência”.

Merino liderou o processo de destituição de Vizcarra por alegações de suborno.

No sábado, o primeiro-ministro Antero Flores-Araóz disse que o processo de impeachment havia sido legal. “Essa foi uma mudança constitucional. Pedimos ao povo por compreensão. Não queremos descer ao caos e anarquia”.

Milhares de peruanos foram às ruas compor os maiores protestos do país em décadas —a maioria deles, pacíficos, mas as tensões eram crescentes no sábado conforme anoitecia. Dois jovens foram mortos por tiros, confirmou o programa de saúde estatal EsSalud.

O coordenador nacional de Direitos Humanos do Peru disse que 102 foram feridos e ao menos 41 estavam desaparecidos. O ministério da Saúde disse, separadamente, que 63 pessoas foram hospitalizadas após serem feridas ou inalarem gás lacrimogêneo. Ao menos nove foram feridos por balas.

“A marcha não é para Vizcarra retornar, é estritamente contra Merino. Estamos cansados da corrupção, dos políticos de sempre que dividem e impõem seus interesses pessoais”, disse César Anchante, um estudante da Universidade de Lima que participou das manifestações no sábado.