Da CNN Brasil

O procurador-geral dos EUA, William Barr, autorizou, nesta segunda-feira (9), os promotores federais do país a investigarem supostas “irregularidades na apuração de votos” na eleição do país e citou a possibilidade de que o rito investigativo ocorra antes da certificação de alguns resultados.

Presidente em exercício nos EUA, Donald Trump, sem apresentar provas até aqui, alega que houve fraude eleitoral na contagem que deu vitória ao democrata Joe Biden.

“Eu os autorizo a prosseguir com alegações substanciais de votação e irregularidades na apuração de votos antes da certificação das eleições em suas jurisdições em certos casos, como já fiz em casos específicos”, escreveu Barr em memorando aos promotores federais e ao FBI.

“Embora as alegações sérias de fraude eleitoral devam ser tratadas com muito cuidado, as alegações ilusórias, especulativas, fantasiosas ou rebuscadas não devem ser uma base para iniciar investigações federais”, ponderou o procurador.

A autorização do procurador-geral aos promotores foi enviada várias horas depois de um encontro entre Barr e o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, que na segunda-feira disse que Trump estava dentro de seus direitos de investigar as acusações de “irregularidades”.

O memorando diz aos promotores que eles podem tomar medidas investigativas, como entrevistar testemunhas durante um período em que normalmente precisariam da permissão da seção de crimes eleitorais.

Barr não forneceu qualquer indicação de que o Departamento de Justiça apresentou evidências para apoiar a alegação de Trump de fraude maciça na eleição da semana passada.

Em seu memorando, Barr observa que, embora “a maioria das alegações de suposta má conduta eleitoral sejam de tal escala que não impactariam o resultado de uma eleição e, portanto, a investigação pode ser adiada apropriadamente, nem sempre é esse o caso”.

Promotor pede demissão em protesto

Após o gesto do procurador-geral, um dos principais promotores de crimes eleitorais do Departamento de Justiça (DOJ) dos Estados Unidos renunciou ainda na segunda-feira (9).

Richard Pilger, diretor da seção de crimes eleitorais da Seção de Integridade Pública do DOJ, deixa o cargo em protesto após Barr dizer que os procuradores deveriam examinar supostas irregularidades na votação antes de certificar os resultados estaduais.

Em e-mail enviado a colegas, Pilger afirmou que o procurador-geral estava emitindo “uma nova política” ao “revogar a Política de Não Interferência de quarenta anos para investigações de fraude eleitoral no período anterior às eleições tornando-se certificado e não contestado”

Pilger também encaminhou o memorando aos colegas em sua carta de demissão.

O e-mail de demissão de Pilger não deixou claro se ele planeja permanecer no departamento em outra função.