
Por Inês Diniz Carvalho Santos
Triunfo é uma cidade admirada por suas belezas naturais, pelo patrimônio histórico, pelo clima agradável e pela hospitalidade de seu povo. Não é por acaso que é considerada um dos principais destinos turísticos de Pernambuco.
Agora, com a participação do município em iniciativas voltadas ao turismo sustentável, acredito que seja o momento ideal para ampliarmos o olhar sobre um tema que também faz parte da sustentabilidade: a proteção e o bem-estar dos animais.
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Escrevo este artigo como integrante do GAART – Grupo de Apoio aos Animais de Rua de Triunfo. Há anos convivemos com uma realidade que, muitas vezes, passa despercebida: animais abandonados, cães e gatos doentes, ninhadas nas ruas e famílias de baixa renda que não possuem condições de custear atendimento veterinário para seus animais.
Seria injusto afirmar que nada é feito. O município possui um Departamento de Proteção Animal, conduzido por uma diretora que conhece profundamente essa causa por também ter atuado como voluntária do GAART. No entanto, esse departamento funciona praticamente com o trabalho de uma única pessoa, sem equipe própria, sem auxiliares e sem estrutura suficiente para atender a todas as demandas que surgem diariamente.
Também merece reconhecimento o fato de a Prefeitura manter um espaço para acolher alguns animais idosos e enfermos, custeando o aluguel do imóvel, fornecendo água, ração e mantendo três funcionários responsáveis pelos cuidados e pelos resgates. Além disso, realiza, em média, 25 castrações por mês, uma iniciativa importante para o controle populacional de cães e gatos.
Reconhecer esses avanços não significa deixar de perceber que ainda há muito a ser construído. Um dos principais desafios, na minha opinião, é que Triunfo ainda não possui uma legislação municipal específica voltada à proteção e ao bem-estar animal. Essa necessidade, inclusive, já foi debatida publicamente. No dia 27 de janeiro deste ano, durante uma audiência pública sobre a causa animal, foi levantada a importância da criação de uma legislação própria para o município. Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal informou que buscaria o setor jurídico da Casa para avaliar a elaboração desse projeto. No entanto, passados alguns meses, essa proposta ainda não avançou publicamente.
Espero que esse compromisso seja retomado, pois uma legislação específica daria mais segurança, continuidade e organização às políticas públicas voltadas à causa animal.
Ao longo dos anos, o trabalho voluntário do GAART ajudou a reduzir o abandono, promover adoções responsáveis, incentivar a castração, conseguir doações para tratamento de animais resgatados e conscientizar a população. Tenho convicção de que, sem esse trabalho contínuo, a realidade das ruas de Triunfo seria muito mais difícil. Mas esse cenário também mostra que a proteção animal não pode depender apenas da dedicação de voluntários.
O voluntariado é essencial, mas não substitui uma política pública permanente.
O cuidado com os animais vai muito além da compaixão. Ele está diretamente relacionado à saúde pública, ao meio ambiente, à educação e à qualidade de vida da população. Controlar a população de cães e gatos por meio da castração evita abandonos, reduz maus-tratos, diminui riscos de acidentes e contribui para uma cidade mais organizada e saudável.
Por isso, acredito que Triunfo pode dar um passo importante criando uma Política Municipal de Proteção e Bem-Estar Animal, estabelecida por lei. Essa política poderia fortalecer o Departamento de Proteção Animal, definir atribuições, garantir orçamento, ampliar gradativamente o programa de castração, promover campanhas permanentes de educação para a guarda responsável, incentivar a adoção, criar mecanismos de identificação dos animais e estabelecer parcerias com médicos-veterinários, universidades e organizações da sociedade civil.
Essas medidas não beneficiariam apenas cães e gatos. Beneficiariam toda a população.
Hoje, quando se fala em turismo sustentável, não se pensa apenas na preservação das paisagens, do patrimônio histórico ou do meio ambiente. Sustentabilidade também significa cuidar da vida, promover saúde pública e construir uma cidade mais humana. Cada vez mais, visitantes valorizam municípios que demonstram respeito aos animais e responsabilidade social.
Acredito que Triunfo reúne todas as condições para se tornar uma referência em proteção animal no Sertão de Pernambuco. Temos uma população solidária, voluntários comprometidos e servidores públicos que conhecem a realidade. O que precisamos é transformar essas iniciativas em uma política pública sólida, permanente e amparada por legislação específica.
Este artigo não pretende apontar culpados nem diminuir o trabalho de quem já atua pela causa animal. Pelo contrário. É um convite à reflexão e ao diálogo. Quando sociedade civil e poder público caminham juntos, todos ganham.
Cuidar dos animais é cuidar da saúde das pessoas, do meio ambiente, da imagem da cidade e do futuro de Triunfo. Uma cidade verdadeiramente sustentável é aquela que protege seu patrimônio, sua história e todas as formas de vida que fazem parte dela. Afinal, a forma como tratamos os animais também revela os valores que escolhemos cultivar como sociedade.