Três árvores centenárias da espécie Algaroba localizadas no Centro de Serra Talhada estão ameaçadas de serem arrancadas, mesmo a cidade passando por uma das piores secas e sob um calor que beira os 40 graus. A denuncia é do engenheiro agrônomo Olímpio Menezes Leal Neto, que resolveu assumir a defesa das algarobeiras. Preocupado com elas, consideradas um patrimônio ambiental pelos moradores da cidade, ele usou uma das árvores para evidenciar um protesto silencioso, mas que diz muita coisa. Com fita adesiva, cartolina e tinta, fixou um cartaz pedindo socorro e anunciando a “execução” das “três marias”, como vem sendo chamadas por alguns moradores.

“Eu admito que se faça uma poda nestas árvores, mas não a destruição delas. Não faz sentido derrubá-las. Estamos precisando de sombra e verde neste momento. Essas três árvores são centenárias, fazem parte do patrimônio histórico do município”, defendeu o agrônomo, revoltado com as intenções das autoridades. Ele relatou que nesse sábado (10) uma equipe do Corpo de Bombeiros esteve no local e fez estudos com relação às árvores. “Foi distribuído um documento da prefeitura aos moradores do entorno informando que seria apenas uma poda. Entretanto, tenho informações extra-oficiais que há um projeto pela derrubada dessas árvores”, revelou Olímpio Neto, informando ainda que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico estaria à frente do plano anti-ecológico.

A notícia sobre a derrubada das algarobeiras cresceu como rastilho de pólvora e provocou a indignação de ambientalistas serratalhadenses. “Estas árvores não podem ser derrubadas. Segundo o ecologista Bonzinho Magalhães, elas (as árvores) foram tombadas como patrimônio histórico do município”, argumentou a professora Auricleide Andrada, que ameaça criar um movimento na cidade chamado de “Salvem as Três Marias”  em defesa das algarobas centenárias da Concha Acústica.

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OLÍMPIO NETO PARTE EM DEFESA DE ÁRVORES CENTENÁRIAS

HISTÓRIA

A introdução da Algaroba (Prosopis Juliflora) no Brasil começou por Serra Talhada. No ano de 1942, o diretor da Escola Superior de Agricultura de Viçosa (MG), J. B. Griffing, desceu no aeroporto de Piúra, região desértica do Peru; e ficou admirado com o verde das Algarobas. De pronto, colocou 34 sementes no bolso do sobretudo e deu-as de presente ao governador de Pernambuco, Agamenon Magalhães. O governador logo às enviou  para serem plantadas na Estação Agrícola Experimental de Serra Talhada e daí foram espalhadas pelo semi-árido nordestino.