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Fotos: Farol de Notícias/Alejandro Garcia

Nesta terça-feira (23) a redação do Farol recebeu a visita do ex-deputado Roberto Leandro, atual dirigente da Rede Sustentabilidade em Pernambuco. Nesta conversa, Leandro fala dos planos da legenda e revela que o empresário Eugênio Marinho pode sair candidato a prefeito em Serra Talhada. Confira a entrevista na íntegra.

FAROL: Presidente, bom dia. Eu gostaria que inicialmente o senhor falasse qual o objetivo da sua visita a Serra Talhada?

ROBERTO LEANDRO: Bom dia, primeiro na Rede a gente não tem presidente, temos porta-voz. Então, formalmente pelo Tribunal Regional Eleitoral nós somos presidente, mas politicamente nos colocamos como porta-voz, um masculino e um feminino. Infelizmente, a Patrícia Brandão nossa companheira não pode estar conosco aqui. O objetivo da nossa visita a região é exatamente estar constituindo, organizando o nosso partido, a Rede de Sustentabilidade, na região.

Nós nos colocamos com uma forma de organização diferenciada de outros partidos, ao invés de diretórios diretamente ou das comissões provisórias, que se tornam permanentes, eternamente comissões provisórias, a Rede está constituindo coletivos municipais. Com militantes, com simpatizantes, com pessoas que queiram estar implementando as políticas que a gente defende, os nossos princípios, a nossa plataforma programada. E é isso que a gente está fazendo aqui.

Em Serra Talhada, nós temos o nosso companheiro Eugênio Marinho que é integrante do elo estadual, que a gente chama elo, mas é o diretório formalmente também; e que está fazendo um trabalho e é o nosso referencial aqui na região. É um contato não só em Serra Talhada, mas também no Sertão do Pajeú. E a gente está nesse momento aqui em Serra Talhada, mas também vamos estar organizando reuniões hoje a noite em Petrolina, na região de Exu e na volta vamos passar no Sertão do Pajeú.

Esse é um momento de corre corre e foi reconhecido formalmente, saiu no final do ano passado e a gente está correndo contra o tempo para participar inclusive do processo eleitoral de 2016, com organização de chapa, das contenções, dos mandatos majoritários e proporcionais em todo o estado de Pernambuco. Já estamos organizados nessa condição que eu te falei em torno de 30 municípios, com um potencial de crescimento maior e querendo crescer, a Rede de Sustentabilidade tem esse objetivo, mas com qualidade.

Não nos interessa simplesmente que o partido esteja em todas as localidades e em todas as cidades do estado com pessoas que não têm identidade, que não têm qualquer compromisso com a nova política, com os princípios e a plataforma da Rede de Sustentabilidade.

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FAROL: A impressão que eu tenho é que um dos principais desafios da Rede agora é a identidade do partido. A Marina Silva, era vice de Eduardo Campos e no inconsciente das pessoas o partido estava nascendo como uma sublegenda do PSB. O que a Rede vai fazer para mostrar que tem independência e uma proposta própria?

ROBERTO LEANDRO: A Rede de fato começou a existir em 2013, mesmo não tendo registro nós reunimos mais de mil filiados, mais de mil pessoas, cidadãos e cidadãs de bem desse país que queriam buscar uma alternativa diferenciada, ocupar uma lacuna existente no quadro partidário desse país. Que não tivesse os vícios da velha política, que não fosse através do esquema fisiológico de toma lá da cá. Um novo partido que tivesse democracia interna, que buscasse uma alternativa, que discutisse sustentabilidade como uma bandeira central não apenas no aspecto ambiental, mas no aspecto político, estrutural, ético, estético enfim. Que tivesse identidade com a nossa plataforma.

Então, nós construímos isso e em 2014 nós disputamos a eleição através PSB com uma filiação democrática, porque o registro tinha sido negado no TSE. Tinha uma expectativa no meio política nacional que Marina Silva fosse a todo custo disputar a presidência da república e sete legendas ofereceram esse espaço. Ela contrariando, inclusive todos os analistas políticos nacionais naquela época, mesmo estando com 27% nas pesquisas e Eduardo Campos com 5%, abriu mão naquele momento de disputar os partidos que estavam oferecendo para haver uma discussão com o Partido Socialista Brasileiro, que tem uma tradição, que é um partido no campo democrático.

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E teve essa programática que redundou em uma aliança eleitoral tendo a frente o ex-governador Eduardo Campos. Infelizmente aconteceu aquela tragédia que Marina acabou assumindo a candidatura a presidente. O perfil de Marina, a história dela e a trajetória de vida, as características de uma liderança como ela, que em 2010 teve quase 20 milhões de votos, em 2014 teve mais de 22 milhões de votos sem utilizar os métodos da velha política, está fazendo a distribuição de cargos eventuais, de ministérios. Mas é toda uma campanha diferenciada, apresentando um programa para a população e teve infelizmente, através de um processo desigual na campanha, aquilo que ocorreu com nossos adversários tentando desconstruir a imagem de Marina.

O que ela representa com mentiras, com calúnias, e terminar ocorrendo com quem ganhou. E Marina terminou com a seguinte frase, depois das eleições, que é muito importante: É melhor você perder ganhando, do que ganhar perdendo. O que foi o caso da nossa hoje majoritária da presidente da república e assim, a Rede surgiu formalmente, então a aliança que a gente teve com o PSB foi uma aliança programática. Está no campo das nossas alianças, nessas eleições em alguns municípios podemos estar compondo com o PSB, mas não é um alinhamento automático e a Rede é um time que quer jogar, que quer ter torcida, que quer fazer um diálogo com a população através da nossa plataforma programática.

Nas cidades, aqui em Serra Talhada, por exemplo, nós queremos fazer um diagnóstico e a partir desse diagnóstico de como está a cidade na saúde, na educação, na agricultura, na segurança, na infraestrutura, emprego e renda enfim. Todos os aspectos das políticas públicas e a partir daí lançarmos uma alternativa, uma discussão programática com composição. Evidentemente, que hoje o sentimento da Rede na maioria das cidades brasileiras e aqui em Serra Talhada não é diferente, que é de apresentar uma alternativa diferenciada. Uma alternativa que não seja mais a mesma, uma alternativa que não seja mais os mesmos grupos políticos, as velhas oligarquias que têm governado a frente dos executivos do nosso país.

Então, é para isso que a gente surge e nesse sentido, a gente está conclamando, buscando pessoas, os cidadãos e cidadãs, militantes ou não, juventude, a dona de casa, estudante, empresário e pessoas que queiram, de fato, construir uma alternativa diferenciada. Então, em Serra Talhada, o nosso companheiro Eugênio Marinho é quem está puxando isso, junto conosco e claro dialogando com a direção estadual. E nós queremos também aqui em Serra Talhada, quem sabe lançando uma alternativa diferente na política tradicional daqui da cidade.

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FAROL: Então, essa política diferente, como o senhor já adiantou, pode ser o nome do empresário Eugênio Marinho como pré-candidato a prefeito de Serra Talhada?

ROBERTO LEANDRO: Se depender da direção estadual da rede sim, Eugênio Marinho é uma pessoa de bem, um empresário bem sucedido que tem suas raízes familiares através de sua esposa, da família dela aqui na cidade de Serra Talhada. Constituiu sua vida profissional aqui na cidade e que conhece, tem uma relação de bem aqui, conhece as pessoas que têm esse perfil. É bem sucedido como empresário, como gestor e administrador, e sem dúvida nenhuma com um perfil ético, de uma pessoa que quer fazer a diferença, que aposta na nova política, que aposta na política com ‘P’ maiúsculo, a boa política e pode efetivamente lançar uma semente e quem sabe colher os frutos, quem sabe no processo eleitoral deste ano aqui em Serra Talhada.

Por isso, a gente está conclamando as pessoas que querem ajudar nessa construção que nos procurem. Quem está procurando política tradicional, quem está querendo dinheiro na campanha, quem está querendo recursos e os outros políticos tradicionais, os velhos políticos, as oligarquias colocam no toma lá dá cá, compra de cargos, não nos procure. Agora, quem quer algo diferenciado, quem quer uma discussão coletiva, quem quer uma cidade sustentável, quem quer discutir as alternativas reais de saída para a crise que o nosso país enfrenta, que tem repercussão direta nos estados e nos municípios que nos procure.

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Nós acreditamos que essas pessoas, esses 22 milhões de eleitores brasileiros que apostaram na candidatura de Marina, que acreditaram na construção dessa nova política, que aqui em Serra Talhada ajudem a construir, a fazer a diferença, dialogar com a população nesse processo eleitoral. Sem dúvida nenhuma, Eugênio tem todas essas características, todas essas credenciais e a Rede vai estar com ele aqui fazendo essa disputa. Esse diálogo, esse debate com a sociedade serra-talhadense.

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FAROL: Com esse discurso, o senhor descarta aliança com o PT e com PR, que são os dois grupos tradicionais aqui em Serra Talhada. Então, não tem conversa com esses o grupos?

ROBERTO LEANDRO: Nós achamos que em Serra Talhada, o caminho é buscar uma alternativa nova. Bem claro com relação a Serra Talhada, isso não quer dizer que a gente não possa sentar para conversar sobre o interesse da população de Serra Talhada com qualquer força política. O que for de bem para Serra Talhada, o que for de bem para o Brasil nós vamos sentar com quem quer que seja, com outras forças políticas. Nós não temos a pretensão de sermos os melhores, os únicos que estão querendo fazer uma política diferenciada no nosso país. Tem muita gente boa em tudo quanto é partido, pessoalmente não tenho nada contra quem quer que seja, nem com certeza Eugênio tem.

Agora, nós achamos que para mudar esse quadro partidário, essa forma de se mudar a forma de fazer política no país, é preciso de fato construir uma prática política diferenciada e se chegar a esse processo. E é isso que a Rede de Sustentabilidade se propõe e é nisso que nós acreditamos, porque para fazer composição e ser mais um membro, não mudar nada no discurso e no papel ser uma coisa diferenciada. A gente não surgiu para fazer isso, quando saiu o registro da Rede, fomos procurados por muita gente querendo a legenda em seus municípios. Na política, não queremos isso. A Rede não surgiu para ser sublegenda, para ser legenda de aluguel, ou de amparo para ajudar qualquer outro partido ou alguma força política.

Nós queremos de fato com a nossa cara, com a nossa identidade, buscar ser uma alternativa que faça com que a população acredite na política, porque eu acredito que é através da política que a gente consegue a resolução dos graves problemas que o nosso país enfrenta e nossos municípios enfrentam. Então, é nesse sentido que a gente acredita que a Rede pode fazer a diferença. Vamos ter disputa em várias cidades do estado de Pernambuco, vamos ter disputa em várias cidades do nosso país. Inclusive com chance real de algumas delas com chance real de chegar à frente do executivo. Temos referência e queremos sem dúvida nenhuma ser referência quando chegarmos à frente do executivo.

Nesse processo de 2016 é rico, é fundamental, a Rede nasce em um momento de crise, uma crise econômica, uma grave crise política e que nós temos consciência que não vai ser a Rede sozinha, não vai ser Marina Silva sozinha, não serão as nossas lideranças que vão estar apontando as saídas para essa crise. Tem que ser uma concertação nacional, tem que ter a participação de outras forças políticas, de cidadãos e cidadãs filiados ou não a partidos políticos, que queiram efetivamente apontar caminhos, que sejam caminhos diferenciados dos que está colocado e que seja com alternativa sustentável para o nosso país.

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