Publicado às 05h58 deste domingo (8)

Este domingo (8) é comemorado o Dia dos Pais em todo o Brasil. Um dia de alegria, abraços e muitas lembranças boas, quando criança se aguarda para entregar o presente feito à mão, quando adulto um aperto de mão e uma boa conversa com o seu herói já satisfaz. A pandemia, entretanto, tem causado perdas lamentáveis e dores incalculáveis, com isso o dia de festas passa a ser o dia de muita saudade e recordação. Carlos Rodrigo Gonçalves de Sá, 43 anos, sente na pele a dor e com muita emoção, presta uma homenagem ao seu tão amado pai Carlos Alberto de Sá.

Carlos Alberto de Sá foi mais uma vítima da covid-19, faleceu no dia 17 março, deixando amigo e familiares com muitas saudades. Carlos Rodrigo, que carrega o nome do seu pai e também deu o nome ao seu filho, tem muitas lembranças boas. Ele relata que a dor é dobrada, pois hoje (8) é o dia dos pais e dia 21 de agosto seria o aniversário de 70 anos de Seu Carlos, data esperada por todos da família para uma comemoração da forma que ele merecia.

“Ele sempre foi para mim e eu considero até hoje um professor, me ensinando as coisas de como é vida e de como ela funciona, o que me serviu como aprendizado e até hoje eu continuo com isso, como se ele fosse o meu professor. Tenho muito orgulho de tudo que o meu pai construiu, convivi 43 anos com ele, desde São Paulo, desde que eu era pequeno meu pai era desse ramo de bar e lanchonete e de lá veio para Serra. Sinto tanto orgulho que quando a gente reabriu aqui eu troquei o nome do bar, antes era “Bar Scorpions” e agora é “Bar de Seu Carlos”, detalhou Rodrigo acrescentando:

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“Ele tinha escolhido o nome Scorpions porque gostava e por mim, ele me via escutando rock, penso eu que foi em homenagem a mim, todo mundo já conhecia como Bar de Seu Carlos, então resolvi mudar’. Tem sido um ano muito difícil, esse dia dos pais vai ser muito duro, porque daqui a duas semanas seria o aniversário dele de 70 anos, já fazíamos planos de fazer uma festinha, mas infelizmente esse ano vai ficar na saudade”.

A RELAÇÃO DE AMIZADE

Seu Carlos e Rodrigo eram mais que pai filho, eles eram amigos e sócios, tinham uma relação firme de cumplicidade. A dor de não poder se despedir ainda mexe muito com ele, ter tido a última conversa em janeiro ainda machuca o filho que lamenta a perda do pai.

“A gente era muito parceiro, eu vinha para cá abria o bar, eu saia para resolver as coisas dele, porque a idade dele tinha chegado, para ele andar pelo centro era cansativo, quando eu saia ele ficava aqui até meio dia e ia para casa e voltava às 17h, ele ficava até a parte da noite, eu deixava o comando com ele e ele fechava o bar. Éramos sócios, junto com a minha mãe, tudo aqui na lanchonete sempre foi em família”, relatou Rodrigo detalhando:

“A gente tinha uma relação de amizade, a gente conversava muito. Meu pai me dava uns conselhos bons, às vezes ele queria fazer alguma coisa e vinha pedir minha opinião, se ele ia comprar um carro, vinha pedir minha opinião, nossa relação sempre foi boa. Amo demais meu pai, sinto muita falta dele e vou te falar uma coisa, minha ficha ainda não caiu, eu falei com ele no final de janeiro e o vi pela última vez no dia 2 de fevereiro e depois eu não vi mais o pai”,lamentou.

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Como a música de Fábio Júnior, “Pai, pode crer eu ‘tô bem’, eu vou indo, tô tentando vivendo e pedindo com loucura pra você renascer”, Rodrigo tem a esperança de ver  Seu Carlos chegando ao bar, com seu jeito leve e calmo, um passo de cada vez, uma palavra a cada um e um aperto de mão sincero.

“Até hoje me dói não ter podido me despedir dele, ele tinha trocado o carro e já certo eu ficar esperando ele chegar pelo mesmo lugar, então até hoje eu espero meu pai chegar, eu sei que é fantasia, uma ilusão minha, coloquei isso na minha cabeça para me dar um conforto, ficar na ideia de um dia ele chegar de novo”, ressaltou com olhos cheios de lágrimas.

Seu Carlos deixou só um filho de sangue, mas de coração deixou vários, clientes que cresceram frequentando a lanchonete e bar, amigos que escutavam seus conselhos, desconhecidos que só queriam conversar, ele acolheu e atendeu a todos. Foi o pai de Rodrigo e também o seu melhor amigo e hoje é uma lembrança boa que vai ficar eternizada na memória do filho.