
Do Metrópoles
Cerca de 100 alunos de três escolas públicas de Sorocaba, em São Paulo, e Fortaleza, no Ceará, participaram da montagem de dois satélites com lançamento previsto para esta quinta-feira (1º/10), na missão Transporter-18, da SpaceX. Os estudantes também elaboraram propostas para aplicar a tecnologia espacial na solução de problemas de suas regiões.
A experiência integra o AEB – Escola em Órbita, projeto da Agência Espacial Brasileira em parceria com a Ideia Space, que leva cursos práticos de missões espaciais às escolas públicas.
Os fatos de Serra Talhada e região no Instagram do Farol de Notícias (siga-nos)
O projeto EduSat-2 teve a participação de 50 alunos da Escola Municipal Dr. Getúlio Vargas, em Sorocaba, com atividades entre 21 e 25 de setembro. Já o EduSat-3 envolveu 50 estudantes do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e da Escola Professor Paulo Ayrton de Araújo, em Fortaleza, na semana de 28 de setembro.
Da sala de aula à montagem
Antes de trabalhar nos equipamentos destinados à órbita, os alunos utilizaram modelos educacionais para aprender programação, eletrônica e uso de sensores. Depois, participaram da montagem de sistemas como energia, placas solares, computador de bordo, comunicação e controle da orientação do satélite.
Segundo Matheus Six Madureira, sócio-fundador e diretor de Produto da Ideia Space, os estudantes não soldaram os componentes eletrônicos, mas receberam capacitação para montar e integrar as partes, com acompanhamento técnico. Eles também participaram de testes elétricos, de comunicação, de abertura da antena e de funcionamento dos equipamentos.
“O mais importante é que o aluno não está apenas aprendendo sobre um satélite que já existe. Ele está aprendendo a pensar como alguém que desenvolve uma missão espacial para investigar e buscar soluções para um problema real”, afirma.
Alagamentos inspiraram uma das missões
Em Sorocaba, os alunos propuseram acompanhar áreas afetadas por alagamentos para entender como os eventos evoluem. A aplicação, porém, depende de etapas futuras.
“É importante destacar uma limitação: o EduSat-2 não vai, neste momento, tirar imagens dos alagamentos nem solucionar diretamente o problema”, explica Matheus.
O equipamento pode receber informações, mas a proposta exigiria sensores instalados no município para coletar dados ambientais, além de uma estrutura de transmissão e análise.
Os estudantes também discutiram a comunicação em regiões com pouco acesso à internet. Uma possibilidade seria um sensor identificar uma condição de risco e transmitir os dados pelo satélite a uma estação em solo, contribuindo para o envio de alertas às autoridades. A aplicação ainda precisa de desenvolvimento tecnológico.
O aprendizado continua em órbita
Os dois satélites têm os mesmos componentes e a mesma arquitetura, mas foram trabalhados por equipes diferentes, com propostas de missão relacionadas às necessidades de cada região.
Segundo a empresa, os equipamentos viajarão na Transporter-18, missão compartilhada da SpaceX em que diferentes clientes dividem o lançamento. O voo está previsto para partir de Vandenberg, na Califórnia, nos Estados Unidos, a bordo de um foguete Falcon 9, às 15h, horário de Brasília, desta quinta.
Após a chegada à órbita, os alunos poderão acompanhar o funcionamento dos satélites e analisar os dados disponibilizados pela plataforma de gerenciamento de missão da Ideia Space.
Novas turmas terão cursos gratuitos
A próxima etapa prevê um curso de desenvolvimento de missões espaciais para mais 500 alunos de Sorocaba. Em Fortaleza, a empresa está iniciando a seleção de escolas para capacitar também 500 estudantes.
A formação vai trabalhar pensamento científico, criatividade e resolução de problemas, sem que todos os participantes necessariamente avancem para a construção de satélites.
Os cursos são gratuitos para as escolas participantes. Interessados podem procurar a Ideia Space para consultar oportunidades em suas regiões.