
Por Sebastião Costa, especial para o Farol
Serra Talhada vive um dos períodos mais importantes de crescimento de sua história. O município se aproxima da marca de 100 mil habitantes, enquanto a expansão urbana, o surgimento de novos bairros, loteamentos, empreendimentos comerciais e o fortalecimento de setores e serviços que transformam rapidamente a cidade.
O crescimento, entretanto, traz consigo um desafio cada vez mais evidente, o sistema de abastecimento de água não acompanhou, na mesma velocidade, o desenvolvimento do município. A expansão da cidade significa também aumento da demanda por um dos serviços públicos mais essenciais à população. São milhares de novas residências, estabelecimentos comerciais, hotéis, restaurantes, empresas e equipamentos públicos que dependem diariamente de água. Na prática, a população acaba convivendo com períodos de abastecimento irregular, baixa pressão e dificuldades para manter reservas suficientes para as necessidades básicas.
O problema revela um descompasso entre a Serra Talhada que cresceu e a estrutura de abastecimento planejada para uma cidade de menor porte. A realidade atual é diferente. O município ampliou sua área urbana, aumentou sua população e consolidou-se como importante centro regional. Esse movimento aumenta naturalmente o consumo de água e exige uma infraestrutura compatível com a nova dimensão da cidade. Uma cidade próxima de 100 mil habitantes não pode continuar dependendo de uma estrutura de abastecimento que não foi dimensionada para o atual nível de crescimento e consumo.
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A falta de água não representa apenas um inconveniente. Para muitas famílias, significa alterar a rotina, armazenar água e organizar tarefas domésticas de acordo com a disponibilidade do serviço. Em uma cidade que pretende ampliar e atrair novos investimentos, a segurança hídrica passa a ser uma questão estratégica.
O desafio não está apenas em resolver os períodos de desabastecimento. É necessário pensar na Serra Talhada dos próximos 10, 20 ou 30 anos. Se a cidade já se aproxima dos 100 mil habitantes, é preciso considerar qual será a demanda quando ultrapassar essa marca. Isso significa discutir investimentos na captação, tratamento, armazenamento e distribuição de água, além da ampliação e modernização das redes existentes e da redução de perdas no sistema. O crescimento urbano precisa caminhar lado a lado com a infraestrutura.
A discussão sobre o abastecimento de água precisa envolver o poder público estadual, a companhia responsável pelo fornecimento, os setores produtivos e a sociedade. É necessário conhecer a capacidade atual do sistema, identificar os pontos de estrangulamento e estabelecer um planejamento de médio e longo prazo para garantir o abastecimento de uma cidade que continua crescendo. O desenvolvimento da cidade precisa ser acompanhado por serviços públicos compatíveis com suas novas dimensões. E, entre todos eles, garantir água nas torneiras da população deve ser uma das prioridades.
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