Do G1

Ao menos 3.750 hectares foram atingidos pelo incêndio entre os municípios de Bonito e Jardim, região turística no sudoeste de Mato Grosso do Sul, segundo informaram os bombeiros que fizeram um “voo de reconhecimento” da área nesta segunda-feira (12). Nos dois municípios, o fogo foi controlado, mas os bombeiros alertam para o risco de surgir novos focos. Para a Polícia Militar Ambiental (PMA), no entanto, a extensão do dano seria ainda maior: 6 mil hectares. No Pantanal, que também foi atingido, o fogo continua e os bombeiros seguem fazendo combate e monitoramento. Desde que as chamas começaram, há cinco dias, o fogo matou animais da região, como as sucuris, e devastou a mata nativa. “Tivemos o grande incêndio controlado e agora fazemos o monitoramento por terra e rescaldo da área afetada. Também estamos utilizando aeronaves. […] Fizemos o voo de reconhecimento que localizou um novo foco de incêndio nas proximidades do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, foco este que já foi controlado e a área está em segurança”, disse o major André, comandante da operação Panemorfi (que significa “bonito” em grego). A avaliação da área perdida foi feita pelo Centro de Proteção Ambiental (CPA).

Rastro de morte

A queimada destruiu a vegetação e matou inúmeros animais, entre eles uma sucuri de cerca de 5 metros e 80 quilos, encontrada carbonizada por militares nesse domingo (11). “Estávamos fazendo a vistoria nas proximidades da fazenda São João, ainda na parte da área de Bonito, quando nos deparamos com esta sucuri que, infelizmente, não conseguiu se livrar das chamas. Lamentável”, afirmou o capitão Valdeck de Siqueira Santos. Em 2020, o Pantanal foi atingido pela maior tragédia de sua história. Incêndios destruíram cerca de 4 milhões de hectares. 26% do bioma (o que representa uma área maior que a Bélgica) foi consumida pelo fogo. Cerca de 4,6 bilhões de animais foram afetados e ao menos 10 milhões morreram. Até hoje, a região ainda não se recuperou totalmente da tragédia. E a previsão é de estiagem ainda mais severa neste inverno de 2021. Por conta disto, a comunidade ribeirinha de Barra de São Lourenço, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, vive de doações. São famílias que antes sobreviviam da pesca, da coleta de iscas vivas e da agricultura de subsistência. Agora, elas dependem de doações para viver após terem visto a região ser devastada pelas queimadas.

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Fogo no Pantanal

Assim como as cidades de Bonito e Registro, o fogo também atingiu o Pantanal do MS. Na região, a operação Hefesto já contabilizou 25.775 hectares de área queimada dos dias 3 a 10 de julho. “O pessoal está fazendo o combate no Canal do Tamengo e uma área próxima à Bolívia, onde as equipes estão trabalhando e em campo na área da Nhecolândia…Teremos uma aeronave pousando nesta manhã (12) para ajudar e vamos intensificar. São aeronaves contratadas pelo governo do estado, onde teremos uma resposta melhor no foco de calor e vamos avançar para proteger o nosso meio ambiente, nossa fauna e nossa flora”, disse o tenente-coronel Luciano Alencar, que comanda a operação. A operação conta com o efetivo de 76 bombeiros militares empregados na missão de combate aos focos de calor, e com 23 viaturas operacionais e administrativas. As aeronaves usadas são do modelo Air Tractor e pousaram no aeroporto de Corumbá para reforçar as ações dos bombeiros militares. Cada uma dessas aeronaves tem capacidade de comportar 2 mil litros de água.