Do G1 Mundo

Foto: AFP

Samia Suluhu Hassan assumiu nesta sexta-feira (19) o cargo de presidente da Tanzânia e se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo após uma rápida cerimônia na capital Dar es Salaam.

Muçulmana de 61 anos, Hassan era vice de John Magufuli, que dizia que a Tanzânia estava “livre da Covid-19” devido a orações, tinha sido reeleito no ano passado e morreu cercado de mistério.

“Este é o momento de enterrar nossas diferenças e sermos um como nação”, afirmou a presidente. “Este não é um momento para apontar dedos, mas sim para dar as mãos e seguir em frente juntos”.

Um dos grandes testes para Hassan, que vai comandar o país do leste africano até 2025, será como ela lida com a Covid-19.

A Tanzânia é um dos países mais populosos da África (60 milhões de habitantes) e, sob Magufuli, não fez esforços para obter vacinas ou promover o uso de máscaras e o distanciamento social (veja mais abaixo).

Presidente negacionista

O ex-presidente estava sem fazer aparições públicas desde 27 de fevereiro e, oficialmente, morreu por problemas cardíacos.

Mas um de seus principais opositores, Tindu Lissu, afirmou que o presidente foi vítima do novo coronavírus. “Isto é justiça poética. O presidente Magufuli desafiou o mundo na luta contra o corona. Desafiou a ciência”.

“Ele se negou a adotar as precauções básicas que são recomendadas às pessoas de todo o mundo”, afirmou o opositor em entrevista a uma emissora de televisão do Quênia.

Até o anúncio da morte, o governo não dava informações sobre seu paradeiro — e inclusive prendia quem espalhasse boatos sobre a saúde do então presidente.

Negação da pandemia

Além de dizer que o país estava livre da pandemia “devido a orações”, Magufuli afirmava que o novo coronavírus era proveniente de um demônio ocidental e fazia campanha contra o uso de máscaras e as vacinas.

“O coronavírus, que é um demônio, não pode sobreviver no corpo de Cristo. Ele queimará instantaneamente”, afirmou Magufuli ao convocar as pessoas a irem às igrejas e mesquitas para orar.

O presidente declarou a Tanzânia “livre da Covid-19” em junho, dizendo que o vírus havia sido erradicado após três dias de oração nacional, também questionou testes e provocou os países vizinhos que impuseram medidas para conter o vírus.

Seu governo recomendava receitas caseiras — como uma bebida à base de gengibre, cebola, limão e pimenta — para eliminá-lo.

Mas, desde fevereiro, a Tanzânia vivencia uma onda de mortes atribuídas pelo governo a pneumonias.

Oficialmente, o país tem apenas 509 casos confirmados de Covid e 21 mortes. As últimas infecções e óbitos foram registrados em 8 de maio de 2020.