A ONG anticorrupção Transparência Internacional (TI) alertou nesta quarta-feira (25) contra a “corrupção sistêmica” e a “desigualdade social” que geram um “contexto propício para os políticos populistas”, e criticou o início de governo do presidente americano Donald Trump.

“Durante 2016 vimos que em todo o mundo a corrupção sistêmica e a desigualdade social se reforçam reciprocamente, e isso provoca decepção nas pessoas em relação à classe política”, indica o comunicado da ONG com sede em Berlim após a divulgação de seu novo “Índice de Percepção da Corrupção 2016”.

Desigualdade e corrupção geram “um contexto propício para o surgimento de populismos”, assegura a TI, que faz uma avaliação de 176 países.

“Os casos de corrupção em grande escala, como os da Petrobras e Odebrecht no Brasil (…) mostram como a colusão entre empresas e políticos tira das economias nacionais milhares de milhões de dólares desviados para beneficiar alguns poucos às custas da maioria”.

“Este tipo de corrupção, em grande escala e sistêmica, resulta em violações dos direitos humanos, freia o desenvolvimento sustentável e favorece a exclusão social”, afirma o documento.

Por isso, a pontuação do Brasil (79ª posição) no índice de percepção da Transparência caiu significativamente em comparação aos cinco anos anteriores, depois “da revelação de sucessivos escândalos de corrupção nos quais estão envolvidos políticos e empresários de primeira linha”.

No entanto, prossegue a TI, “o país demonstrou este ano que, mediante o trabalho independente de organismos encarregados da aplicação da lei, é possível exigir que prestem contaqs pessoas que antes eram consideradas intocáveis”.

– Autocratas e populistas –
“Em países com líderes populistas ou autocráticos, geralmente vemos democracias que retrocedem e um padrão alarmante de ações que tendem a reprimir a sociedade civil, limitar a liberdade de imprensa e fragilizar a independência do poder judicial. Invés de combater o ‘capitalismo clientelista’, estes líderes no geral instalam sistemas corruptos inclusive piores”, afirma José Ugaz, presidente da TI.

Segundo a TI, as pontuações da Hungria e Turquia – dois países onde estão no poder líderes autocráticos – caíram nos últimos años. Em compensação, “a pontuação da Argentina, que deixou para trás um governo populista, está começando a demonstrar melhorias ” (95º), afirma o estudo.

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