
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou na noite desta sexta-feira (20) a criação de uma tarifa global de 10% sobre produtos importados de todos os países. A medida foi formalizada por decreto no Salão Oval, poucas horas depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos considerar ilegal o pacote tarifário anterior imposto pelo governo.
Segundo comunicado da Casa Branca, a nova taxa entra em vigor no dia 24 de fevereiro e terá validade inicial de 150 dias. O presidente afirmou que a decisão se baseia na chamada Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, dispositivo que autoriza a aplicação temporária de tarifas de até 15% para corrigir desequilíbrios na balança de pagamentos ou enfrentar restrições comerciais.
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“É com grande honra que acabo de assinar, aqui do Salão Oval, uma tarifa global de 10% sobre todos os países, que entrará em vigor quase imediatamente. Agradeço a atenção dispensada a este assunto!”, declarou Trump.
Mais cedo, o republicano já havia antecipado a decisão e criticado o entendimento da Suprema Corte, que apontou violação à legislação federal por ausência de autorização do Congresso no pacote anterior. Segundo o tribunal, as tarifas ultrapassaram os limites legais previstos.
Trump argumentou que o novo caminho jurídico não anula sua autoridade para impor tarifas, mas apenas restringe o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para esse fim. “Só para mostrar o quão ridícula é essa decisão, a Corte diz que não estou autorizado a cobrar US$ 1 sob a IEEPA. […] Mas tenho permissão para cortar qualquer negócio e comércio com outros países. Em outras palavras, eu posso destruir o comércio, eu posso destruir um país, mas não posso cobrar US$ 1”, afirmou.
O presidente também avaliou que a decisão judicial ampliou suas alternativas legais para regular o comércio exterior. “Agora estamos indo em uma direção diferente. Provavelmente, a direção que eu deveria ter ido na primeira vez. Eu li esse texto, e essa escolha é ainda mais forte do que a nossa decisão original”, disse.
Impactos e cenário internacional
Pelas regras da Seção 122, a tarifa poderá vigorar por até 150 dias sem necessidade de aprovação legislativa. Para ser prorrogada, contudo, dependerá do aval do Congresso, o que pode representar um desafio político em meio à proximidade das eleições de meio de mandato e às preocupações de eleitores com a alta de preços.
Trump ressaltou ainda que permanecem em vigor tarifas aplicadas com base nas seções 232 e 301 da legislação comercial norte-americana, utilizadas para casos envolvendo segurança nacional ou práticas comerciais consideradas desleais.
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O Brasil esteve entre os países afetados pelo pacote anterior, mas já havia tido a revogação de parte das tarifas adicionais no fim do ano passado. Com a nova medida global, a taxa de 10% passa a valer de forma uniforme para todos os parceiros comerciais.
Em Brasília, o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que o novo cenário não altera a competitividade brasileira em relação a outros países. “Então, os 10% global, são para todos. Nós não perdemos competitividade, de ser 10% geral. O que estava acontecendo é que o Brasil estava com uma tarifa de mais 40% que ninguém tinha. E esse aqui era o problema. Você, efetivamente, perdia a competitividade. Mas nós temos que aguardar agora com cautela os desdobramentos que vão ocorrer. Agora, é importante, que acho que vai fortalecer a relação Brasil-Estados Unidos”, declarou.