Publicado às 05h50 deste sábado (28)

Por Iêdo Ferraz Lima, servidor do Ministério Público da Bahia

Neste domingo, 29 de maio, meu tio José Gregório Ferraz completará um século de vida. Este conceituado senhor nasceu na histórica e antiga Fazenda Ema, localidade rural situada entre os municípios sertanejos de Serra Talhada e Floresta do Navio-PE. Ele é o filho mais velho do casal Helvécio Gregório e Luzia Ayres, ambos também nascidos neste local mencionado.

José e seus oito irmãos foram criados conforme os rígidos padrões morais de comportamento. Naquela época, os filhos começavam a ajudar os pais na lida diária ainda jovens. E com este honrado cidadão, não seria diferente. Acordar cedo para tirar o leite das vacas, cuidar do rebanho de caprinos e ovinos na caatinga, cortar lenha para ser usada na cozinha, transportar capim e palma para alimentar os bichos e plantar milho e feijão eram tarefas que qualquer menino trabalhador da roça tinha que saber e praticar.

Meus avós são de origem sofrida. Mas, em momento algum, eles fraquejaram ou desanimaram diante dos obstáculos encontrados na vida do matuto sertanejo. Quando Zé Ferraz nasceu, no ano de 1922, o mundo vivia sob conflitos e o Brasil comemorava seu primeiro século de independência perante os reis portugueses. No Sudeste, tudo se voltava para a Semana de Arte Moderna, que renovou a linguagem artística e cultural brasileira. No Nordeste, ocorriam terríveis batalhas entre os cangaceiros de Lampião e seus asseclas com moradores, sendo muitos deles nossos parentes, do Nazaré do Pico e da Ema.

Naquele tempo, vários sertanejos morreram em combates, residências foram incendiadas, rebanhos bovinos foram impiedosamente mortos e queimados, plantações foram destruídas pelos bandoleiros. Diante disto, muitas famílias tiveram que fugir de suas terras para fugir e evitar a fúria e o terror implantado naquele sertão.

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Por ser o mais antigo dos filhos, meu tio Zé Ferraz ajudou na criação dos outros irmãos menores. Ele, indiscutivelmente, é uma espécie de Baraúna da lendária Fazenda Ema. Este conceituado senhor saiu ainda jovem da residência dos pais para tentar ganhar a vida em outros lugares. Foi almocreve, militar, agropecuarista, tabelião de cartório e proprietário de hotel.
Em 1965, o aniversariante e a sua esposa Maria Amélia decidiram fixar moradia definitiva em Petrolândia-PE. Da união entre os primos legítimos, nasceram quatro filhos: Jair, Rejane, Helvécio Neto e Jadilson.

O meu tio, ao longo da sua trajetória como morador daquela cidade, conquistou admiração e respeito dos habitantes locais. Em 2008, a Câmara Municipal de Petrolândia concede-lhe o título de cidadão petrolandense (o autor da proposta foi o então vereador Carlos Alberto).

Enfim: raras são as pessoas que podem se gabar de ter uma vida tão rica em histórias para contar aos seus descendentes. Completar 100 anos é algo memorável, um privilégio de pouquíssimos neste mundo. Parabéns por existir para todos da família Ferraz. Sentimos orgulho, demonstramos respeito e agradecemos por existir em nossas vidas, José Ferraz.