Por Jorge Apolônio, colunista do Farol e membro da Academia Serra-talhadense de Letras (ASL)

Publicado às 04h36 desta segunda-feira (13)

Uma ou duas semanas atrás, este Farol de Notícias publicou dois posts de divergentes opiniões religiosas. Como sempre, o blog deu mais uma prova de democracia e laicidade, isenção religiosa. Isto é ótimo. Parabéns ao Farol.

Aproveitando a oportunidade desse debate, fazemos as seguintes perguntas: CONSIDERANDO QUE DEUS EXISTE, até onde você se deixa manipular pela sua fé? Até onde você permite que infinitos conceitos erráticos e crendices afetem seu bom senso em nome da fé?

Você acredita que o atleta que vai para uma disputa esportiva e se benze ou ora antes terá a torcida de Deus a seu favor? E se o oponente dele faz o mesmo, vence quem tem mais fé ou o mais preparado?

Num acidente de ônibus, por exemplo, onde viajavam 42 pessoas, salvam-se apenas duas e estas dizem “graças a Deus” ou “Deus está no comando”. Você acredita nisso? Se elas se salvaram graças a Ele ou se Ele estava no comando, por que não salvou a todos? Ou, antes disso, por que não evitou o acidente?

Vamos para um exemplo bem próximo de nós: a seca. Há séculos ou até milênios, quando nem havia gente no Nordeste, essa região já sofria de seca. Passou a ser povoada, e essa população passou a padecer desse mal, claro. Esse povo foi induzido a orar ao seu Deus pela chuva.  Daí, lá uma vez perdida quando a chuva vem, esse povo passa a agradecer ao seu Deus por ela. Ora, se é Deus quem manda a chuva, quem é que manda a seca e por quê? Por que Ele não a extingue definitivamente? Por que não faz do Nordeste um Rio Grande do Sul?

Aviso aos fanáticos: este texto não está duvidando da existência de Deus nem de seus poderes. Isto seria outro debate. Aqui se está discutindo é o uso da fé para TAMBÉM manipular consciências, induzir ao erro, a raciocínios equivocados, à estupidez, enfim. Todos sabemos que se usa absurdamente a fé até para instrumentar terroristas e fazer guerras, inclusive. Em nossa sociedade, não chegamos a esse ponto, ainda bem, mas sofremos de uma insidiosa alienação religiosa que emburrece as pessoas, joga umas contra as outras e faz de nós uma multidão de tolos.

E quem é que pratica essa alienação? A quem interessa isso? O que se ganha com isso? Respostas não nos faltam ao longo da História da humanidade e mais recentemente em inúmeros canais de televisão e rádio.

É esse tipo de mentalidade que nos faz presas fáceis para também manipuladamente acreditar em tantas promessas políticas mentirosas de quem não tem competência nem ética para cumprir o que promete. Por isso somos tão mal representados e atrasados.

O que fazer para sair dessa tragédia? Observar a realidade prática, questionar, questionar, questionar, refletir, refletir, refletir… Permitir que as luzes do Iluminismo, que nem é novo, clareiem vossa mente e vos libertem. Assim, enfim,  “conhecereis a VERDADE, e ela vos libertará”.

 

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