No pequeno distrito de Santa Rita, a 18 quilômetros de Serra Talhada, a dona de casa Auricélia Carmelita da Silva, 38 anos, é a pessoa mais procurada quando o assunto é tratar da saúde. Dona Célia, como é mais conhecida, é a única rezadeira do local e muita gente tem o hábito de lhe “consultar” mesmo depois quem vai ao médico que trabalha no distrito uma vez por semana. “É muito comum as pessoas irem ao médico e depois passam aqui para serem rezadas. Acho que é uma questão de confiança”, confirma.

Ela aprendeu o ofício de rezadeira com oito anos de idade. Dom que herdou da sua mãe, que foi repassada pela avó de Célia Carmelita. A oração é simples. Um pequeno ramo de Muçambê nas mãos – uma vegetação típica da região – e muita oração. Um ritual que fica entre ela e a pessoa que busca o beneficio.

“É tudo uma questão de fé. Já recebi pessoas até de São Paulo na minha casa. Outras, mesmo distante, enviam fotografias e faço a oração. Eu uso a minha fé para curar. Recebo gente com todos os sintomas e faço a minha parte que é ajudar as pessoas”, disse dona Célia, confirmando que chegou a rezar no prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque, durante a campanha eleitoral. “Eu disse a ele (Duque) que iria ganhar as eleições. Foi uma coisa que veio na minha mente e passei para ele”, relembra.

DINHEIRO NÃO

Questionado pela reportagem do FAROL se costumava cobrar pelas ‘consultas’, Célia Carmelita foi enfática. “As palavras de Deus não se vendem. Se dão. Estou ajudando as pessoas com um dom dado por Deus e não posso cobrar. Se Nosso Senhor Jesus Cristo não cobrou nada quando veio a este mundo, quem sou para cobrar?”, ensinou com muita sabedoria.

Morando numa pequena casa com o marido e três filhos, Célia Carmelita se divide entre as tarefas domésticas e um fogão a lenha construído próximo a uma antena parabólica. Quando alguém chega em sua casa a rezadeira para tudo. “Porque ajudar as pessoas é o mais importante para mim”.

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