Resisti até escrever estas mal tecladas linhas, mas não suportei. Desde a semana passada que rola uma disputa aberta entre os chamados cantores sertanejos e os artistas que cultuam e valorizam o forró autêntico e as tradições nordestinas.

Começou com a linda Elba Ramalho que ficou fora do São João de Campina Grande, na Paraíba, porque protestou contra a ‘invasão’ dos sertanejos na festividade. No São João do Recife, a rainha da sofrência, Marília Mendonça, ficou na programação e ainda provocou Elba.

“Não tenho nada contra nenhum artista, contra nenhum sertanejo. Tem espaço pra tudo, no céu cabem todos os artistas, ninguém atropela ninguém. Porém, eu não toco na Festa de Barretos, Dominguinhos também não cantava. A festa é deles, é dos sertanejos, e eles têm bem essa coisa: essa área é nossa”, desabafou Ramalho.

PORRADA DE ALCYMAR MONTEIRO

No áudio de Alcymar Monteiro direcionado a Marília Mendonça, espalhado pelo grupo de WhatsApp Cantores de Forró da Velha Guarda, o forrozeiro chama a música dela de “‘breganejo’ horroroso pra cachaceiro”.

Em outro momento diz que vai baixar o nível, ao dizer que “galinha aqui não canta”. Mais de uma vez pede “Deixem a gente em paz” e “Vá cantar no seu Goiás”. “Vê se a gente canta lá no teu Goiás. Vocês não deixam!”, fala Alcymar,

Então, a briga está posta e vale um bom debate. Me posiciono no front de Elba e Alcymar porque vejo que estão em desvantagem.

Durante o ano inteiro, os chamados sertanejos têm todo apoio da mídia, funcionam como correia de transmissão da Rede Globo, e como se não bastasse, 95% das emissoras de rádio do interior nordestino recheiam suas programações com hits sertanejos.

Durante o ano, dá para contar o número de vezes que alguma música de Elba ou Alcymar é executada nas rádios de Serra Talhada. Já os sertanejos… E não se trata aqui de discriminar tradições, mas de valorizar os atos de resistência de centenas de músicos que acreditam na força da música nordestina.

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